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Rede socioassistencial de São Paulo acolhe mais de 470 mulheres em risco e reforça proteção sigilosa contra a violência

25/03/2026
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Atendimento da SMADS oferece abrigo, sigilo e apoio para reconstrução de trajetórias de mulheres vítimas de violência na capital paulista

A rede socioassistencial da cidade de São Paulo tem desempenhado um papel decisivo na proteção de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Só em 2025, mais de 470 mulheres em situação de risco foram acolhidas pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), em uma estrutura que combina proteção imediata, sigilo e apoio para a reconstrução da autonomia.

Por trás dos números, estão histórias marcadas por medo, dor e recomeço. Uma dessas mulheres, identificada na divulgação como Maria, nome fictício adotado para preservar sua identidade, deixou a própria casa com a filha mais nova nos braços, carregando apenas a roupa do corpo. O filho mais velho ficou para trás. Ela fugia de um ciclo de violência que começou com palavras e evoluiu para agressões físicas, humilhações e ameaças.

“Você está segura e não está sozinha” foi a primeira frase que ouviu ao chegar à rede de acolhimento.

O relato ajuda a dimensionar a importância de uma política pública que vai além do abrigo emergencial. Na capital paulista, os atendimentos são realizados em unidades sigilosas da Proteção Social Especial de Alta Complexidade, estruturadas para garantir segurança e acompanhamento técnico a mulheres em risco iminente, especialmente em contextos de violência doméstica e familiar. A Casa de Passagem para Mulheres Vítimas de Violência (CPMVV) foi incluída entre os serviços tipificados do município pela Portaria SMADS nº 76/2022, posteriormente alterada por norma de 2024. Já o Centro de Acolhida Especial para Mulheres em Situação de Violência – Sigiloso (CAEMSV) foi disciplinado por nota técnica publicada em dezembro de 2024.

Nesses serviços, as mulheres recebem acolhimento protegido, alimentação, suporte 24 horas e acompanhamento especializado, além de orientação para acesso a direitos, regularização de documentos e encaminhamento para políticas públicas de saúde, trabalho e renda. A diretriz do sigilo é central em todo o processo. A norma municipal que regulamenta o CAEMSV-Sigiloso estabelece que a divulgação da localização do serviço é proibida e reforça a proteção de informações pessoais das usuárias e de seus familiares.

A proteção das informações também segue os parâmetros da Lei de Acesso à Informação, que prevê resguardo para dados pessoais e sensíveis, especialmente quando sua exposição pode colocar em risco a integridade e a segurança das vítimas.

O acolhimento especializado é parte de uma rede maior de proteção às mulheres em vulnerabilidade. A própria Prefeitura de São Paulo destaca, entre os serviços da SMADS voltados ao público feminino, o CAEMSV Sigiloso, o CAE Mulheres, repúblicas e outras modalidades de atendimento que ampliam a capacidade de resposta diante das diferentes formas de violência e exclusão social.

A política municipal, no entanto, não se encerra no acolhimento emergencial. O objetivo é criar condições concretas para que essas mulheres retomem a própria vida com segurança, autonomia e acesso a direitos. Segundo o balanço apresentado no material divulgado, 42% das mulheres acolhidas nos CAEMSV em 2025 alcançaram saídas qualificadas, como retorno à convivência familiar segura, inserção no mercado de trabalho ou conquista de autonomia habitacional.

Em uma cidade onde a violência de gênero ainda impõe barreiras profundas à liberdade e à dignidade, a rede socioassistencial assume papel estruturante ao oferecer não apenas proteção, mas a possibilidade real de recomeço.

Serviço público de proteção

Em São Paulo, mulheres em situação de violência doméstica e familiar podem ser encaminhadas para acolhimento especializado mediante avaliação técnica de risco, com articulação entre CREAS, Central de Vagas e serviços da rede socioassistencial. Os atendimentos incluem proteção sigilosa, escuta qualificada e suporte integral para reorganização da vida.

Foto ilustrativa – imagem não retrata mulher em acolhimento sigiloso (Divulgação)

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