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CRÔNICAS DE UM DIA (QUASE) NORMAL

18/05/2024
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 Beltides Rocha

Já era quase meio-dia quando bateu aquela fome.

Eu pensei em ir a um restaurante habitual, que era perto, mas não o suficiente para ir a pé, daí peguei o carro e fui.

No caminho, tinha um campo de golfe e vi, de longe, três pessoas dando suas tacadas.

Na hora, pensei se um dia eu viria a jogar golfe, esporte que nunca tinha praticado, exceto de brincadeirinha, com aqueles apetrechos infantis que todo mundo um dia já experimentou.

Esse caminho até o restaurante era de pouco trânsito e, não raro, era possível estar na via sozinho.

Um sonho.

Hoje em dia está tão difícil ficar sozinho em uma via de trânsito de cidade grande… Ali, naquele momento, era como se a pista fosse somente para mim.

Um dia ouvi de uma pessoa que queria dirigir sempre sozinho na pista e, como isso não era possível, não gostava de dirigir.

Nessa via de sonho em que eu estava, qualquer carro à frente ou atrás de si pode, por ele mesmo, chamar a atenção.

E assim, indo à frente, percebi um vermelho no retrovisor interno do carro e reparei que o carro que vinha atrás, além de vir muito rápido, tinha curvas bem definidas, típicas de um esportivo de perfil baixo, com uma entrada de ar no meio do seu capô.

Na hora pensei, uma Ferrari?

O carro não chegou a me ultrapassar, mas chegou perto o suficiente para ver no retrovisor que parecia sim uma Ferrari, mas ela diminuiu a velocidade para entrar no tal clube de golfe que eu tinha visto antes.

Isso fez mudar o meu destino.

Vislumbrei na hora de ir lá também para me informar sobre como jogar golfe e, ainda por cima, conferir de perto a tal Ferrari.

Com isso, dei meia-volta e fui para lá.

Ao chegar no estacionamento, vi que o tal carro vermelho era mesmo uma Ferrari e pensei ser o modelo 599GT (depois verifiquei que era do modelo Califórnia).

O nome Califórnia, do estado americano, por si só já remete a pensamentos longínquos, de liberdade, poder e glória. Culpa dos filmes americanos de Hollywood que vendem essa ideia.

Ah, Califórnia, que já inspirou tanta coisa… cinema, moda, estilo e músicas, como aquela antiga, dos anos 70, da banda Eagles, que falava do tal Hotel Califórnia, que tudo era lindo antes de entrar, mas depois que entrou nele não podia mais sair… e aquele solo de guitarras…

Esse carro, cujo preço para um modelo 0 km no Brasil somente não é proibitivo para muito poucos brasileiros (algo de mais de um milhão de dólares norte-americanos), era um modelo com motor V8 dianteiro, mas com tração dianteira, de 4.3 litros e 560 cv (755 Nm – Newtons Metro). A transmissão é de dupla embreagem, com sete marchas. O principal destaque desse modelo Califórnia é a capota retrátil, que li na internet depois que abre ou fecha em 14 segundos.

Parei meu carro bem próximo daquela Ferrari e pude ouvir o ronco encantador de um possante motor V8.

Aquilo era música.

O condutor daquela Ferrari tinha estacionado, mas ficou ali, acelerando-o, talvez assustado com a minha chegada abrupta.

Virando para o lado, olhei melhor o campo de golfe e descobri que ali funcionava também um restaurante. Considerando que o meu objetivo inicial era mesmo almoçar, resolvi ficar por ali mesmo.

Saí do meu carro já satisfeito por ter sentido uma adrenalina adquirida pelas percepções visuais e auditivas.

Desse modo, esquecendo a história do golfe, afinal o que eu queria mesmo era saciar a minha fome, fui ao restaurante dali e sentei à mesa lá dentro, em uma posição que me dava a visão da Ferrari Califórnia estacionada lá fora.

O dono daquela Ferrari veio depois e sentou-se logo à minha frente: um homem na casa dos 65 anos, mas vestido como se fosse um garotão de 20, falando ao celular supostamente com um amigo e contando que tinha conhecido uma mulher jovem e que tinha gostado dela.

Não demorou muito e avistei de longe, em trajetória até aquela mesa do dono da Ferrari, uma belíssima jovem, mulher, magra, de cabelos loiros compridos, lisíssimos, bem vestida, com uma blusa de cor laranja tão colada no corpo que delineava de modo perfeito seus belos seios médios. Pois, do alto de seus 1,75 metros, andar daquele jeito dava-nos a impressão de que estava ali a desfilar aos olhos dos presentes e, quiçá, fosse uma princesa de algum reino tão distante, mas sabedora do que queria fazer.

Todos no restaurante estavam ali hipnotizados com o que viam.

Ela chegou à mesa do dono da Ferrari, deu-lhe logo um beijo na boca e sentou-se com ele.

Enquanto o casal conversava, eis que chegam três senhores, sendo um deles acompanhado por uma moça muito jovem.

Esses homens estavam de traje passeio completo (terno), com ares, modo de falar e gestos como se fossem autoridades máximas e poderosas (achei que fossem assessores de “deus”).

Pois é, o grupo se derramou junto ao dono da Ferrari, que, pelo visto, já o conhecia antes, e os homens se comportando como meninos ingênuos, diziam eufóricos um para o outro: “- puxa, ele tem uma Ferrari!…”.

E a jovem moça que acompanhava um daqueles três homens falou para o ferrarista, não sem antes dar-lhe dois beijões, um em cada face, com um belíssimo sorriso e proclamando: “- …o teu carro é liiiinnn-do!”.

Pois é, aquele homem externava êxtase, torpor e alegria com a pujança de um jovem sabedor de seu poder, carisma e admiração: não escondia estar feliz pelo provável sexo vindouro.

Tudo isso por possuir aquele simples carro “rosso”…

É… “c’est la vie” (assim é a vida), me rendo, reconheço que aquela Ferrari também até alterou o meu caminho…

Enfim, a mim restou saborear o prato escolhido: massa fettuccine, cozida al dente (firme e consistente), com lascas de filé mignon vegano ao molho branco recheado de champignons, com leve sabor de alho, com queijo Grana Padano ralado por cima, sem cebola, é claro, regado a sobremesa de um petit gâteau e, para beber, água mineral sem gás da São Lourenço.

Com tantas experiências sensoriais, com certeza, foi um belo almoço.

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