Momento Histórico, mas com Reservas A COP28, realizada em Dubai, foi um marco nas conferências climáticas da ONU, com o primeiro acordo focando a transição de combustíveis fósseis para fontes alternativas. No entanto, organizações ambientais como a Fundação SOS Mata Atlântica e o Greenpeace Brasil destacam que, apesar dos avanços, o evento não atingiu a ambição necessária para garantir um futuro climático seguro.
A Questão dos Combustíveis Fósseis O diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto, e a porta-voz do Greenpeace Brasil, Luiza Lima, reconhecem a importância da discussão sobre a eliminação de combustíveis fósseis, mas apontam que o texto final não é suficientemente firme para assegurar isso a tempo. Ainda assim, a menção à transição energética é um avanço significativo.
Perspectiva Positiva de Beto Mesquista Beto Mesquista, da BVRio e membro do Grupo Estratégico da Coalizão Brasil, vê a COP28 como um avanço, especialmente por acontecer em um país dependente do petróleo. Ele enfatiza a importância de não desistir desse caminho de negociações, mesmo que lentas.
O Papel do Brasil e o Desafio Interno Guedes Pinto assinala o retorno do Brasil a uma posição de destaque nas discussões socioambientais globais. Contudo, Lima enfatiza que o Brasil precisa adotar medidas internas congruentes com suas propostas externas, principalmente na transição justa de combustíveis fósseis.
Fundo Climático de Perdas e Danos Um avanço significativo foi a criação do Fundo Climático de Perdas e Danos, com doações de vários países. Embora os recursos ainda sejam modestos, é um passo importante para auxiliar países afetados pelas mudanças climáticas.
Protagonismo Brasileiro e Futuros Desafios O Brasil apresentou propostas inovadoras na COP28, como um mecanismo para a conservação de florestas globais. No entanto, para assumir uma liderança efetiva, o Brasil terá que tomar decisões cruciais, especialmente em relação ao uso de combustíveis fósseis e o cumprimento das metas ambientais.
Cumprimento das Metas e Preparação para Futuras COPs Os países têm até 2025 para apresentar novos planos nacionais e cumprir as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). O Brasil atualizou sua NDC em 2023, comprometendo-se a reduzir as emissões em 48% até 2025 e 53% até 2030, em relação a 2005. Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa, defende que o Brasil precisa ter um processo claro e transparente para atrair investimentos e tornar essas metas uma realidade.
Próximas Conferências A COP29 ocorrerá no Azerbaijão em 2024, e o Brasil sediará a COP30 em 2025, em Belém, destacando a importância contínua do país nas negociações climáticas globais.