Foto: Tania Rego
No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado hoje, 2 de abril, especialistas reforçam a importância da detecção precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) para garantir a inclusão e o desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes. A data, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca difundir informações sobre o transtorno e combater o preconceito.
A neurocientista e biomédica Emanoele Freitas, moradora de Nova Iguaçu (RJ), relata a experiência do filho, Eros Micael, que recebeu um diagnóstico inicial equivocado de surdez profunda. Apenas aos 5 anos foi identificado que ele, na verdade, estava no espectro autista, necessitando de suporte intensivo para seu desenvolvimento. Com dificuldades no aprendizado convencional, Eros frequentou salas multidisciplinares, demonstrando a necessidade de abordagens personalizadas na educação.
A diretora-executiva do Instituto Neuro Saber, Luciana Brites, explica que o TEA se manifesta por dificuldades na interação social, na comunicação verbal e não verbal, e por comportamentos repetitivos. Segundo ela, a detecção precoce é essencial para que intervenções educacionais sejam aplicadas desde cedo, facilitando a alfabetização e a inclusão escolar.
Desafios e avanços na educação inclusiva:
A educação inclusiva é um desafio para as escolas, exigindo capacitação docente e adaptação do ensino para atender às diferentes necessidades dos alunos autistas. Atividades que estimulam a consciência fonológica, como jogos com sílabas e rimas, são algumas das estratégias indicadas por especialistas para auxiliar no aprendizado.
Para a dona de casa Isabele Ferreira, mãe de duas crianças autistas, a realidade da inclusão ainda apresenta obstáculos. Moradora da Ilha do Governador (RJ), ela destaca a importância da rede de apoio, que inclui famílias, escolas e profissionais de saúde. Seu filho mais novo está em uma creche municipal com outras crianças autistas, enquanto sua filha, com autismo leve, frequenta uma turma regular com suporte de mediadores.
Política nacional e perspectivas futuras:
Desde 2008, o Brasil conta com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, alinhada à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Dados do Censo Escolar de 2022 mostram avanços, como o aumento da matrícula de estudantes com necessidades especiais em classes comuns e a ampliação das salas de recursos multifuncionais.
A conscientização e a capacitação são passos fundamentais para garantir que a inclusão escolar não seja apenas uma obrigação legal, mas uma realidade acessível a todos. A colaboração entre famílias, educadores e profissionais de saúde é essencial para transformar a educação e proporcionar um futuro mais inclusivo para crianças autistas.