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Mostra MAPA transforma memórias da Estrada de Ferro Carajás em cartografia poética entre Maranhão e Pará

17/04/2026
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A 1ª edição da MAPA – Mostra de Imagem em Movimento propõe um mergulho sensível nas memórias, paisagens e narrativas que atravessam o eixo Maranhão–Pará ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Pela primeira vez, o projeto reúne artistas e comunidades da região em uma experiência que une videoarte, fotografia, colagem, pintura digital, leituras e projeções urbanas para resgatar e valorizar a chamada memória ferroviária.

Ao cruzar 27 comunidades conectadas pelos trilhos da EFC, a mostra se aproxima dos territórios para transformar histórias individuais e coletivas em uma cartografia visual e afetiva. O resultado é uma leitura contemporânea de um percurso que há quatro décadas molda deslocamentos, imaginários e relações comunitárias no Norte e Nordeste do país.

Arte contemporânea revisita os trilhos e as histórias da Estrada de Ferro Carajás

A MAPA reúne dez artistas, cinco do Maranhão e cinco do Pará, que apresentam obras inéditas inspiradas nos territórios cortados pela ferrovia. Participam da edição Acaique, Dinho Araújo, Inke, Ramusyo Brasil e Silvana Mendes, pelo Maranhão; e Bárbara Savannah, Ícaro Matos, Juruna, Leonardo Venturieri e Rafa Cardozo, pelo Pará.

A proposta da mostra é fazer da arte uma ferramenta de leitura e reinvenção das memórias ligadas à ferrovia. As obras serão projetadas em superfícies urbanas históricas por meio do videomapping, criando encontros entre imagem, cidade e lembrança em sessões a céu aberto.

Cada artista parte de sua trajetória pessoal, profissional e territorial para construir novas camadas de interpretação sobre os espaços atravessados pela EFC. Assim, o projeto amplia o olhar sobre os trilhos, deslocando a ferrovia de um papel apenas logístico para o campo da experiência afetiva, simbólica e cultural.

Maranhão: identidade, ancestralidade e reinvenção de narrativas

No eixo maranhense, o artista Acaique apresenta a obra “Uma Casinha no Trilho”, em que revisita memórias de infância, identidade e experiência trans a partir da paisagem ferroviária. Com elementos que evocam os contos de fadas, o trabalho propõe uma releitura íntima do percurso e da autopercepção.

Já Dinho Araújo mergulha na memória da região com “História da Terra”, obra que utiliza máscaras inspiradas em caretas e referências do bumba-meu-boi para refletir sobre biomas, territórios e conexões culturais articuladas pela estrada de ferro.

Em “Frágil Dureza”, Inke constrói uma narrativa visual sobre as dores, alegrias, expectativas e múltiplas perspectivas das pessoas que utilizam o trem, dando protagonismo aos passageiros e às histórias que circulam pelos vagões.

O artista, professor e pesquisador Ramusyo Brasil apresenta “Temp(l)o do Rosa Fixado”, obra que parte da visão cinemática oferecida pelo deslocamento ferroviário para refletir sobre cor, ancestralidade, paisagem e cultura ao longo do percurso da EFC.

Fechando o conjunto do Maranhão, Silvana Mendes propõe em “Sol de Meio Dia” uma espécie de contranarrativa poética sobre a ferrovia, tratada como um arquivo vivo, imaginado por meio de colagens digitais, sobreposição de imagens e memórias.

Pará: deslocamento, território e fluxo de afetos

No Pará, a artista visual Bárbara Savannah apresenta “Um Horizonte em Movimento”, em que investiga o deslocamento como experiência física e afetiva. A obra parte das travessias entre rios, cidades e trilhos para construir uma narrativa em que memória, percurso e paisagem se misturam.

O cineasta e fotógrafo documental Ícaro Matos assina “Travessia”, trabalho em photomotion que transforma a Estrada de Ferro Carajás em fio condutor de imagens, afetos e vínculos entre Maranhão e Pará. O trem surge como símbolo de circulação de histórias, família e cultura.

A artista Juruna, afro-indígena, não binária e nômade, apresenta “Todo trajeto, também é um rio”, obra que transforma a ferrovia em monumento a partir da relação entre corpo, território e deslocamento.

Já Leonardo Venturieri traz “Alvorada e Fuga”, vídeo que se aproxima de um espelho do inconsciente, atravessado pela floresta amazônica, pela música e pelo contato direto com a EFC.

Em “Tudo é correnteza”, Rafa Cardozo constrói uma poesia visual em que memória, território e identidade aparecem em fluxo contínuo, como símbolos familiares que se deslocam e se transformam.

Projeto avança para festival e prevê culminância em Brasília

Com início em maio de 2025, a MAPA nasce com o propósito de visibilizar, valorizar e preservar a memória afetiva da Estrada de Ferro Carajás por meio da arte contemporânea. Agora, o projeto avança para o Festival MAPA, etapa em que as obras passam a ocupar fachadas de edifícios históricos nas cidades envolvidas.

A iniciativa deve seguir ao longo de 2026, culminando em Brasília, onde o acervo ganhará uma edição especial em formato de galeria. A proposta é levar ao centro do país as histórias comunitárias construídas no eixo Norte-Nordeste, reforçando a potência cultural e simbólica desse percurso ferroviário.

Além da mostra, o projeto também disponibiliza uma revista digital com panorama das produções realizadas no último semestre, além de vídeos com trechos de entrevistas com os artistas, publicados no perfil oficial do MAPA no Instagram.

Realizada pela OPACCA Produção de Imagem, a Mostra de Imagem em Movimento conta com apoio da Vale, por meio de recursos para preservação da memória ferroviária, sob regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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