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Suelen Gom leva “Cinderela Negra” a Angola em releitura afrocentrada do clássico

25/06/2026
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Atriz brasileira, doutora pela UFF, integra elenco convidado para o FESTECA, Festival Internacional de Teatro do Cazenga, com apresentações nos dias 9 e 11 de julho de 2026

Suelen Gom. Foto: Lukas Alencar.

A atriz e pesquisadora Suelen Gom se prepara para viver um novo capítulo de sua trajetória artística e acadêmica. Integrante do elenco de “Cinderela Negra”, a artista embarca para Angola, onde o espetáculo brasileiro será apresentado no FESTECA – Festival Internacional de Teatro do Cazenga, nos dias 9 e 11 de julho de 2026.

Mineira radicada no Rio de Janeiro, Suelen é doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e dedica sua pesquisa às representações da mulher negra na literatura. Em seus estudos, investiga a construção e a ressignificação dessas imagens a partir das obras de Carolina Maria de Jesus e da pensadora Grada Kilomba.

A participação em “Cinderela Negra” marca, para a atriz, o encontro entre duas frentes que atravessam sua vida: a pesquisa acadêmica e a atuação nos palcos. Ambas se conectam no desejo de criar novos imaginários sobre corpos, histórias e presenças negras.

“É preciso lançar novas sementes ao imaginário e não esquecer de regá-las. Vejo essa transposição da história de Cinderela para o contexto africano como forma de reimaginar o imaginário”, afirma Suelen.

A montagem propõe uma releitura africana de um dos contos mais conhecidos da cultura ocidental. Segundo a atriz, embora a versão clássica de Cinderela tenha se consolidado na Europa, há registros antigos de narrativas semelhantes em diferentes culturas, inclusive em territórios africanos, como o Egito Antigo.

“O ato de fazer perguntas tem tudo para nos lançar a um movimento filosófico. Precisamos pensar sobre o mundo em que habitamos e as imagens que formam e informam esse mundo”, completa.

No espetáculo, Suelen interpreta Kalima, uma das filhas da madrasta de Cinderela. A personagem faz parte do núcleo das antagonistas, mas surge em cena com humor, música, dança e um jogo direto com o público.

“Kalima tem na mãe um ideal de beleza e uma referência. Mesmo fazendo parte do time de pequenas vilãs, ela tem a ingenuidade de uma adolescente que só quer ser igual à mãe. É uma personagem divertida, com nuances de humor, canto e dança”, conta.

Para Suelen, um dos aspectos mais potentes de “Cinderela Negra” está na ampliação das referências de negritude. Com elenco inteiramente negro, a peça apresenta diferentes corpos, tonalidades de pele, texturas de cabelo, modos de falar, pensar e existir.

“Na contracorrente de uma ideia negativa criada há séculos sobre nós, a peça apresenta diferentes pessoas negras brilhando em sua diversidade. Isso é representativo. As crianças podem se enxergar e se identificar com essas figuras”, destaca.

A viagem a Angola tem ainda um significado pessoal profundo para a atriz. Para ela, estar em território africano representa um reencontro simbólico com a ancestralidade.

“Conhecer África era um sonho antigo. Sinto que vou me encontrar por lá. Algo de lá ecoa aqui. Vou em busca de força, pertencimento e inspiração.”

Esta não será a primeira experiência internacional de Suelen com o teatro. Em 2021, ela participou da turnê francesa do espetáculo “As Comadres”, dirigido por Ariane Mnouchkine, com intercâmbio artístico no Théâtre du Soleil. Em 2026, retornou a Paris para uma imersão no processo criativo da companhia francesa.

“Foi o teatro que me permitiu a realização desse primeiro sonho. Agora, mais uma vez, ele realiza outro: tocar solo africano. O teatro, assim como a educação, transformou radicalmente minha vida”, afirma.

Para “Cinderela Negra”, que circula de forma independente pelo estado do Rio de Janeiro, a participação no festival angolano representa um marco na trajetória do projeto.

“A viagem nos dará a oportunidade de verificar os diálogos entre a nossa expressão artística e a recepção angolana, além de conhecer de perto a cultura que reverenciamos. É uma grande realização ver o projeto alçando esse voo internacional”, conclui Suelen.

As apresentações de “Cinderela Negra” no FESTECA – Festival Internacional de Teatro do Cazenga, em Angola, acontecem nos dias 9 e 11 de julho de 2026.

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