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A festa “Eu amo black music” vai agitar o Teatro Rival Petrobras, no centro do Rio de Janeiro, hoje, nesta sexta-feira, em uma celebração dos 50 anos da “black music” no Brasil. O evento, que tem como criadores Dom Filó e DJ Corello, marca um marco histórico na música brasileira, relembrando a criação da Noite do shaft, o primeiro baile de “black music” no Brasil, ocorrido em 1974 no Renascença Clube, no Rio.
O nascimento de uma cena musical
Dom Filó, produtor cultural e engenheiro civil, descreve a “black music” como “uma força, um diálogo coletivo”. O evento traz à tona a importância histórica dessa música, que originou-se nos campos de algodão dos Estados Unidos, onde as comunidades negras encontraram nas canções uma forma de expressão contra a dor da escravidão. Esse legado transformou-se no soul, rhythm and blues, jazz e blues, ritmos que ecoaram e transformaram a música brasileira nas décadas seguintes.
Dom Filó relembra como a chegada da “black music” ao Brasil foi uma revolução. “A música negra chegou ao país sem ser promovida ou acessível de forma ampla”, afirma. No entanto, com a popularização das equipes de som e o acesso crescente aos discos de fora, os bailes como o de Noite do shaft tornaram-se uma plataforma para expressar a identidade negra e fortalecer a autoestima da comunidade.
O legado do movimento “Black Rio“
O evento também traz à tona o impacto do movimento Black Rio, que surgiu de maneira orgânica no Rio de Janeiro e foi responsável por levar a música negra estadunidense aos subúrbios da cidade, tornando-se um símbolo de resistência cultural e racial, principalmente durante a repressão da ditadura militar.
Esse movimento não se limitava à música, mas incluía elementos de afirmação de identidade e resistência contra o racismo. Além disso, a presença de ícones como Tim Maia e Tony Tornado foi crucial para o fortalecimento da música negra no Brasil.
Movimento charme: a evolução da black music
Nos anos 1980, a cena musical sofreu uma nova transformação com o Movimento charme, idealizado por DJ Corello. Esse movimento trouxe uma nova sonoridade, misturando R&B com outros gêneros e conquistando uma nova geração. O termo “charme” virou sinônimo de uma dança mais sensual e envolvente, especialmente em bailes como o Viaduto de Madureira, um dos maiores símbolos desse estilo no Rio.
Black music: uma força cultural
A “black music” no Brasil não é apenas um gênero musical, mas uma expressão cultural que faz parte da história e identidade do país. “Quando penso música no Brasil, penso que toda música adquirida no país tem marcas negras”, afirma a professora Denise Barata. A memória da diáspora africana, presente no samba, no funk e no jazz, continua viva nas novas gerações, que renovam essa cultura com força e identidade.
50 anos de resistência e transformação
Celebrar os 50 anos da black music no Brasil é, acima de tudo, celebrar a resistência e a transformação social da comunidade negra. Como destaca Dom Filó, esse período foi um marco de luta racial e uma grande mudança de comportamento, autoestima e pertencimento para a população negra no Brasil.
O baile de comemoração desta sexta-feira é uma oportunidade para relembrar o poder da música como ferramenta de transformação e resistência.
A festa promete ser mais que uma simples celebração: é um reconhecimento de um legado cultural que continua vivo, influenciando a música e a sociedade brasileira até hoje.