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Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado histórico na televisão brasileira

19/08/2026
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Uma das grandes atrizes do país, Glória Menezes construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão. Ao lado de Tarcísio Meira, formou ainda uma das parcerias artísticas mais emblemáticas da cultura brasileira.

Glória Menezes morreu na terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, no Rio de Janeiro. A atriz, um dos nomes fundamentais da história da teledramaturgia brasileira, atravessou mais de seis décadas de carreira e ajudou a transformar a maneira de interpretar para a televisão. A informação sobre a morte foi confirmada pela assessoria da artista.

Sua trajetória reúne personagens que permaneceram na memória de diferentes gerações, passagens importantes pelo teatro e uma participação histórica no cinema brasileiro. Mais do que uma estrela popular, Glória pertenceu à geração que acompanhou — e ajudou a construir — a consolidação da televisão como principal veículo de dramaturgia do país.

Do teatro à primeira novela diária do Brasil

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória mudou-se ainda criança para São Paulo. Foi na capital paulista que se aproximou definitivamente das artes dramáticas, estudando interpretação e participando de grupos teatrais antes de iniciar sua carreira profissional.

A estreia profissional ocorreu no fim dos anos 1950. Pouco depois, ela já transitava entre teatro e televisão, num período em que o próprio formato da telenovela brasileira ainda estava sendo construído.

Um dos marcos dessa história veio em 1963, quando protagonizou “2-5499 Ocupado”, ao lado de Tarcísio Meira. A produção é reconhecida como a primeira telenovela diária da televisão brasileira e colocou Glória no centro de uma mudança que definiria a cultura popular do país nas décadas seguintes.

“O Pagador de Promessas” e um capítulo histórico do cinema

Antes mesmo da consolidação definitiva na televisão, Glória Menezes participou de uma das obras mais importantes do cinema nacional: “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte.

No filme, interpretou Rosa, mulher de Zé do Burro, personagem vivido por Leonardo Villar. Lançado em 1962, o longa conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, feito histórico para o cinema brasileiro, e ampliou a projeção da atriz.

A personagem revelou uma característica que acompanharia Glória por toda a carreira: a capacidade de construir figuras dramáticas com intensidade sem depender de excessos de interpretação.

Glória Menezes e Tarcísio Meira: parceria dentro e fora da televisão

A carreira de Glória Menezes também se tornou indissociável da trajetória de Tarcísio Meira. Companheiros na vida e em inúmeros trabalhos, os dois formaram um dos casais mais reconhecidos da dramaturgia brasileira.

A parceria atravessou novelas, séries, peças de teatro e décadas de televisão. Eles permaneceram juntos até a morte de Tarcísio, em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Glória deixa três filhos: Maria Amélia, João Paulo e o ator Tarcísio Filho.

Mais do que uma dupla célebre, os dois simbolizaram uma época em que os grandes atores da televisão entravam diariamente na casa de milhões de brasileiros e passavam a fazer parte da memória afetiva do público.

Personagens que atravessaram gerações

Contratada pela Globo na década de 1960, Glória Menezes passou a protagonizar alguns dos momentos mais marcantes da história das novelas brasileiras.

Em “Irmãos Coragem”, de 1970, viveu uma personagem de grande complexidade, alternando diferentes personalidades — Lara, Diana e Márcia. A atuação tornou-se um dos trabalhos emblemáticos de sua carreira.

Depois vieram produções que ajudariam a consolidar sua extraordinária versatilidade. Glória podia transitar do melodrama à comédia e da heroína à vilã com a mesma naturalidade.

Entre seus trabalhos mais lembrados estão “Guerra dos Sexos”, “Brega & Chique”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “Senhora do Destino”, “A Favorita” e “Joia Rara”.

Em Rainha da Sucata, sua Laurinha Figueroa tornou-se particularmente marcante. Já nas produções posteriores, Glória demonstrou uma longevidade artística rara, permanecendo relevante mesmo diante das profundas transformações da televisão brasileira.

Uma atriz que ajudou a mudar a interpretação na TV

Parte da importância de Glória Menezes está além dos personagens que interpretou. Sua geração participou da passagem de uma atuação ainda influenciada pelo rádio e pelo teatro para uma interpretação mais adequada à proximidade das câmeras.

Economia de gestos, domínio do olhar, pausas e modulação da voz passaram a integrar um estilo mais natural de atuação televisiva. O material original encaminhado ao CidadeCult destaca justamente essa contribuição como parte fundamental de seu legado artístico.

Seu último trabalho em novelas foi “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016, na qual interpretou Stelinha. Décadas depois das primeiras experiências na televisão brasileira, Glória ainda demonstrava sua capacidade de dialogar com novas gerações de atores e espectadores.

Um nome permanente na cultura brasileira

A morte de Glória Menezes encerra uma trajetória artística que se confunde com a própria história da televisão brasileira.

Do teatro dos anos 1950 à era das grandes novelas nacionais, passando por um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro, sua carreira atravessou diferentes linguagens, formatos e gerações.

Ficam os personagens, as cenas e uma obra que continuará sendo revisitada. Fica também a imagem de uma atriz cuja presença ajudou a estabelecer novos padrões para a dramaturgia nacional — e que transformou televisão, cinema e teatro em partes de uma mesma e extensa história.

Fonte-base: conteúdo encaminhado à redação, originalmente publicado pela Folha de S.Paulo, com informações complementares verificadas em cobertura sobre a morte e a trajetória da atriz.

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