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TV Brasil debate identidade parda, racismo e cotas no documentário “A Cor do Meio”

08/09/2026
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Episódio do Caminhos da Reportagem investiga a construção histórica da identidade parda no Brasil e seus impactos no acesso à educação, direitos e oportunidades

O que significa ser pardo no Brasil? A resposta passa pela formação histórica do país, pela miscigenação, pelo racismo, pela identidade indígena e negra e também por disputas contemporâneas envolvendo cotas, educação e acesso a direitos.

Essas questões estão no centro de “A Cor do Meio”, edição do programa Caminhos da Reportagem que a TV Brasil exibe nesta segunda-feira, 31 de agosto, às 23h30.

A reportagem reúne pesquisadores, lideranças indígenas, especialistas e brasileiros que relatam experiências pessoais relacionadas à identidade racial. O ponto de partida é um dado que ajuda a dimensionar o debate: mais de 92 milhões de brasileiros se declararam pardos no Censo 2022, o equivalente a 45,3% da população.

É, portanto, uma identidade que representa quase metade do país — e que continua cercada por questões históricas, sociais e políticas.

O que está por trás da identidade parda?

O programa investiga como a categoria “parda” foi construída ao longo da história brasileira e como diferentes origens indígenas e africanas passaram a conviver dentro dessa classificação.

Uma das vozes ouvidas é a do filósofo, ambientalista e líder indígena Ailton Krenak, que analisa a definição racial a partir do processo colonial e das disputas políticas ligadas à identidade.

Também participa o professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) Gersem Baniwa.

A Região Norte ajuda a ilustrar a complexidade da discussão. Segundo o Censo 2022, 67,2% de sua população se declarou parda — o maior percentual entre as regiões brasileiras. Ao mesmo tempo, o Norte concentra parcela expressiva da população indígena do país.

A relação entre identidade indígena e classificação como pardo é um dos pontos analisados pelo documentário.

Racismo também aparece nas experiências pessoais

“A Cor do Meio” não restringe a discussão aos números.

A assistente social Luiza Carvalho relembra episódios de preconceito vividos desde a infância e fala sobre os obstáculos enfrentados até concluir o doutorado.

Sua história coloca em discussão não apenas a existência de vagas e oportunidades, mas as condições necessárias para que pessoas negras consigam chegar aos espaços acadêmicos e permanecer neles.

A historiadora Ana Flávia Magalhães aborda outro aspecto da questão: o apagamento das origens africanas e indígenas e a maneira como as classificações raciais brasileiras se relacionam com a manutenção do racismo.

Cotas e heteroidentificação entram no debate

As políticas de ações afirmativas também ocupam espaço importante no episódio.

O pesquisador Gustavo Amora relata a experiência de ter sua condição racial rejeitada por uma banca de heteroidentificação durante um concurso público. Ele recorreu à Justiça e conseguiu decisão favorável, embora, segundo a reportagem, ainda aguardasse a posse no cargo.

O caso ampliou a discussão sobre os critérios utilizados pelas bancas e sobre as dificuldades enfrentadas por candidatos pardos em processos de heteroidentificação.

Para Helio Santos, presidente do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, a grande diversidade de tons de pele existente dentro da população parda precisa ser considerada na construção e aplicação das políticas de inclusão.

Escola de Ceilândia mostra educação antirracista na prática

Brasília também aparece no documentário por meio de uma experiência realizada em uma escola pública de Ceilândia.

A unidade trabalha conteúdos relacionados à educação antirracista durante todo o ano, levando para a sala de aula discussões sobre identidade, respeito e diversidade.

A orientadora educacional Eliane dos Santos destaca a importância de transformar em prática cotidiana os princípios da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas.

Entre as crianças, o resultado aparece na maneira de compreender a própria identidade e respeitar as diferenças.

A experiência reforça um dos pontos centrais de “A Cor do Meio”: a discussão sobre raça no Brasil não termina nas estatísticas ou nas políticas públicas. Ela também passa pelo modo como crianças aprendem a reconhecer a própria cor, construir autoestima e conviver com a diversidade.

Um Brasil que se reconhece pardo

Ao reunir história, relatos pessoais, educação e políticas de ação afirmativa, o episódio procura compreender uma identidade compartilhada por milhões de brasileiros, mas que está longe de possuir significado único.

A discussão envolve pertencimento, ancestralidade, reconhecimento e oportunidades — e ajuda a entender por que raça e cor continuam produzindo impactos concretos na trajetória dos brasileiros.

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das principais produções jornalísticas da TV Brasil e ultrapassou, no fim de 2025, a marca de 100 prêmios recebidos.

Serviço

Caminhos da Reportagem – “A Cor do Meio”
Data: segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Horário: 23h30
Onde assistir: TV Brasil
Reprise: madrugada de terça-feira, 1º de setembro, às 3h
On demand: TV Brasil Play e plataformas digitais da emissora

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