Nenhum Resultado
Ver Todos os Resultados
Receber a agenda no meu WhatsApp
WhatsApp
Olá , boas-vindas ao CidadeCULT
Oba! Já te adicionei aqui. ⚠️ IMPORTANTE: Para você receber nossas mensagens, salve o número do CidadeCult nos seus contatos agora mesmo!
Abrir bate-papo
Powered by Joinchat
Home Diversidade

‘Pequeno Monstro’ recria Caio Fernando Abreu e estreia nova montagem em São Paulo

19/08/2026
Crédito: Ezequeil Vieira

Crédito: Ezequeil Vieira

Compartilhe essa notíciaEnvie por e-mail

Com Leon Ramos em cena, espetáculo da Célula de Criação Homograma chega à Praça Roosevelt em setembro e coloca desejo, sexualidade e identidade queer no centro da dramaturgia

Trinta anos depois da morte de Caio Fernando Abreu, uma das vozes mais marcantes da literatura brasileira contemporânea, sua obra continua encontrando novos corpos, linguagens e gerações. É desse encontro que nasce a nova versão de “Pequeno Monstro”, espetáculo da Célula de Criação Homograma que estreia temporada em São Paulo no dia 9 de setembro, na SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt.

Com Leon Ramos em cena e direção de João Mar e Pedro Silva, que também assina a dramaturgia, o solo poderá ser visto até 24 de setembro, às quartas e quintas-feiras, às 20h30. A montagem parte do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, mas não pretende simplesmente transportá-lo para o palco: transforma a narrativa em ponto de partida para discutir quem pode desejar, quais corpos são considerados aceitáveis e por que aquilo que foge à norma tantas vezes recebe o nome de “monstruoso”.

A chegada a São Paulo acontece depois de um processo de recriação desenvolvido entre Ceará, Minas Gerais e São Paulo. Em agosto, o espetáculo passou pelo Porto Iracema das Artes, em Fortaleza, onde a nova concepção já apresentou ao público sua combinação de dramaturgia, projeções, música, coreografia e cenografia.

Uma obra reconstruída do zero

A história de “Pequeno Monstro” dentro da Homograma remonta a 2014, quando Pedro Silva criou uma primeira cena curta baseada no conto de Caio Fernando Abreu. A pesquisa ganhou continuidade e levou a uma montagem apresentada em São Paulo em 2022.

A versão de 2026, porém, não é uma simples remontagem.

Dramaturgia, estética, referências e linguagem cênica foram repensadas, num processo que ganhou força com a entrada de Leon Ramos e sua residência artística de quatro meses em Fortaleza. O ator mineiro optou inclusive por ter pouco contato com a versão anterior para construir seu próprio caminho dentro da obra.

Essa reinvenção também se relaciona ao momento em que o espetáculo retorna aos palcos. Em 25 de fevereiro de 2026 completaram-se três décadas da morte de Caio Fernando Abreu, autor cuja obra atravessa temas como desejo, solidão, sexualidade, medo, afetos e experiências LGBTQIA+.

Em vez de transformar a efeméride em homenagem nostálgica, a companhia escolhe confrontar a literatura de Caio com questões do Brasil atual.

Quem é o “monstro”?

No centro da montagem está a descoberta sexual de um jovem dentro do ambiente familiar.

A partir daí, “Pequeno Monstro” atravessa desejo, culpa, memória, erotismo, abandono, identidade e reinvenção. A dramaturgia é organizada em um prólogo e nove quadros e expande o universo do conto ao dialogar com escritores e dramaturgos como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Jean Genet, Allen Ginsberg, Eurípides e Sófocles, além de incorporar textos do próprio Leon Ramos.

É nessa construção que surge a chamada “Teoria Monstro”.

O termo desloca a ideia de monstruosidade: o “monstro” deixa de representar apenas aquele que esconde o próprio desejo e passa a questionar quem estabeleceu os limites do que seria normal, aceitável ou excessivo.

A experiência íntima, assim, assume também uma dimensão política.

Quem determina quais corpos podem desejar? Quando uma sexualidade passa a ser vista como ameaça? E o que acontece quando aquilo que provocava vergonha se transforma em identidade e pertencimento?

São perguntas que aproximam o conto escrito por Caio Fernando Abreu de discussões contemporâneas sobre experiências queer.

Ballroom, música e performance ajudam a construir a cena

A nova montagem também amplia o diálogo entre teatro, dança, performance e cultura pop.

Embora Leon Ramos esteja sozinho em cena, “Pequeno Monstro” evita a estrutura convencional do monólogo. Projeções, iluminação, música, cenário, movimento e a própria relação com a plateia participam da narrativa.

A preparação corporal e coreografia são assinadas por Prava de Avalankx, artista ligada à cultura Ballroom. Já a trilha original de Maia Caos cruza referências da música brasileira, da cultura Ballroom e da música pop.

No cenário criado por Levi Frota e Ícaro Trocoli, um grande prisma assume diferentes funções. Pode ser quarto, memória, espaço íntimo ou território imaginário do protagonista, transformando-se com projeções e luz.

O figurino segue lógica semelhante. Referências urbanas, festas, látex, máscaras e imagens associadas ao corpo idealizado ajudam a expor as muitas personas criadas para existir em lugares onde a diferença nem sempre é aceita.

Crédito: Jac Ferreira

Do Tarzan a Hércules

Uma das alterações evidencia como a companhia deslocou a história para outras referências geracionais.

Se os livros de Tarzan participam do imaginário do personagem no texto original, a nova dramaturgia incorpora uma fita VHS de “Hércules”, aproximando a memória afetiva do universo audiovisual dos anos 1990.

A escolha coloca frente a frente dois imaginários: de um lado, o herói associado à força, beleza e virilidade; de outro, o monstro que escapa das expectativas estabelecidas sobre o corpo e o desejo.

E é justamente nesse confronto que a montagem encontra parte de sua força.

Em “Pequeno Monstro”, erotismo e sexualidade não ficam escondidos atrás de metáforas confortáveis. O corpo passa a ser linguagem e campo de disputa, enquanto o espetáculo investiga os limites entre aquilo que uma sociedade permite mostrar, dizer e desejar.

Caio Fernando Abreu, 30 anos depois

A permanência da literatura de Caio Fernando Abreu entre novas gerações não se resume às questões LGBTQIA+. Sua obra construiu um retrato afetivo e inquieto de uma geração marcada por repressão, solidão, desejo, medo e transformações culturais, mantendo influência sobre leitores e artistas décadas depois.

“Pequeno Monstro” parte dessa memória sem transformá-la em peça de museu.

Ao reunir artistas LGBTQIAP+ de diferentes gerações e regiões do país, a montagem busca produzir uma memória própria — construída por quem está em cena e nos bastidores.

Depois da etapa de recriação no Ceará, o espetáculo chega agora a São Paulo trazendo consigo uma pergunta que atravessa o tempo desde Caio Fernando Abreu: e se o monstro for apenas o nome dado àquilo que se recusa a caber?

Crédito: Ezequeil Vieira

Serviço

PEQUENO MONSTRO
Célula de Criação Homograma
Com: Leon Ramos
Direção: João Mar e Pedro Silva
Dramaturgia: Pedro Silva, a partir do conto de Caio Fernando Abreu
Quando: 9 a 24 de setembro de 2026
Dias: quartas e quintas-feiras
Horário: 20h30
Onde: SP Escola de Teatro — Praça Roosevelt, 210, Centro, São Paulo
Duração: 50 minutos
Classificação: 18 anos
Ingressos: R$ 10 a R$ 20, pelo Sympla.

Post Anterior

De mensageiro a gerente-geral: Fabio Belletti assume comando do Canopy by Hilton São Paulo Jardins

Próximo Post

Festival gamer gratuito reúne mais de 500 competidores na Arena Mané Garrincha

Related Posts

DJ e produtor goiano HeyDoc, artista autista homenageado por sua atuação pela inclusão na música eletrônica

HeyDoc! transforma música eletrônica em espaço de inclusão

0

DJ e produtor goiano, diagnosticado como autista, é homenageado em Goiânia por uma trajetória que une música eletrônica, representatividade e...

Paranoá recebe XIII Mostra de Cultura Popular com artes afro-indígenas e entrada gratuita

0

Evento acontece neste sábado (26), na Casa de Cultura Martinha do Coco, com contação de histórias, capoeira, feira de artesanato...

TV Cultura exibe “Dentro da Minha Pele”, documentário sobre racismo estrutural, neste sábado

0

Dirigido por Toni Venturi e Val Gomes, filme reúne relatos de nove pessoas negras e será exibido às 23h30, na...

Eaton promove semana de diversidade com ações sobre inclusão, equidade racial e acessibilidade

0

Programação reuniu debates sobre gerações, comunidade LGBTQIA+, pessoas com deficiência, equidade racial e protagonismo feminino no ambiente de trabalho Diversidade...

TV Brasil debate identidade parda, racismo e cotas no documentário “A Cor do Meio”

0

Episódio do Caminhos da Reportagem investiga a construção histórica da identidade parda no Brasil e seus impactos no acesso à...

Eixão da Diversidade reúne shows, arte drag e feira gratuita neste domingo em Brasília

0

Segunda edição ocupa o Eixão do Lazer, na altura da 205 Norte, com música, rodas de conversa, economia criativa e...

Divulgação

Caminhos de Exú celebra ancestralidade e resistência com programação gratuita em Brasília

0

Segunda edição acontece em 7 de setembro, na Praça das Avós, na 506 Sul, com Batalá, Samba do Ilê, Makumbá,...

Próximo Post

Festival gamer gratuito reúne mais de 500 competidores na Arena Mané Garrincha

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga Nos! <3

Recommended

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur

Inscrições Abertas: Especialize-se Gratuitamente na Área de Saúde

Novo livro de Byung-Chul Han aproxima filosofia, música, amor e esperança

Most Popular

Conferência Mundial FIAT/IFTA 2026 na Cinemateca Brasileira
Agenda SP

Conferência mundial de arquivos de TV destaca lideranças femininas na Cinemateca Brasileira

Jane Duboc, Márcia Tauil e Marcos Farias apresentam Canções de Rio, Serra e Sertão
Agenda Brasília

Jane Duboc, Márcia Tauil e Marcos Farias apresentam “Canções de Rio, Serra e Sertão” em Brasília

Família com criança em frente ao Sheraton Grand Rio, no Rio de Janeiro
Agenda Rio

Sheraton Grand Rio terá programação especial para o Dia das Crianças

CidadeCULT

© 2026 JNews - O CidadeCult não é apenas um portal de notícias; é um ecossistema de diálogo. Dialogamos com a arte, o pensamento crítico e o cotidiano irbano com um olhar e linguagem acessível.

Navigate Site

  • Setup menu at Appearance » Menus and assign menu to Footer Navigation

Siga-nos

Nenhum Resultado
Ver Todos os Resultados
  • Agenda
    • Agenda Brasília
    • Agenda SP
  • Brasil
  • Brasília
  • Destaque
  • Entretenimento
  • Música
  • Arte
  • Cinema
  • Estilo de Vida
    • Esporte & Fit
  • Literatura
  • Mundo
  • Mundo Pet
  • Política & Sociedade
  • Saúde
  • Animes e mangás
  • Arte
    • teatro
  • Ciência e Tecnologia
  • Clipping
  • Colunistas
    • Beltides Rocha
    • Juliana Vidal
    • Renata Nandes
  • Destaque
  • Diversão
  • streaming
  • Diversidade
  • Educação
  • Empreendedorismo
  • Entretenimento
  • Games
  • Entrevista
  • Estilo de Vida
    • Esporte & Fit
    • Drinks & Foods
  • eventos
  • Exposição
  • Gente, Estilo e Moda
    • Moda
  • Indústria & Comércio
  • Literatura
  • Meio Ambiente
  • Mundo
  • Mundo Pet
  • Música
    • VOZES DA AMÉRICA LATINA
    • Shows
    • A história da canção
  • Oportunidade
  • Pioneiros de Brasília
  • Política & Sociedade
  • Saúde
  • Sororidade
  • turismo
  • Viagem

© 2026 JNews - O CidadeCult não é apenas um portal de notícias; é um ecossistema de diálogo. Dialogamos com a arte, o pensamento crítico e o cotidiano irbano com um olhar e linguagem acessível.

Receber a agenda no meu WhatsApp
WhatsApp
Olá , boas-vindas ao CidadeCULT
Oba! Já te adicionei aqui. ⚠️ IMPORTANTE: Para você receber nossas mensagens, salve o número do CidadeCult nos seus contatos agora mesmo!
Abrir bate-papo
Powered by Joinchat
Receber a agenda no meu WhatsApp
WhatsApp
Olá , boas-vindas ao CidadeCULT
Oba! Já te adicionei aqui. ⚠️ IMPORTANTE: Para você receber nossas mensagens, salve o número do CidadeCult nos seus contatos agora mesmo!
Abrir bate-papo
Powered by Joinchat