Por Redação CidadeCult
Daphne Frias prefere se apresentar como contadora de histórias. Aos 27 anos, vivendo com paralisia cerebral e se locomovendo em cadeira de rodas, ela transformou suas experiências pessoais em combustível para lutar por um planeta mais justo. “Definir-me assim significa colocar as pessoas da minha comunidade em primeiro lugar”, afirma.
Filha de uma família dominicana do West Harlem, Daphne cresceu percebendo diferenças gritantes entre o bairro onde morava e a região central de Manhattan, onde estudava. O contraste começava no ar: enquanto em casa a poluição e a névoa eram constantes, no centro a atmosfera parecia mais limpa. Foi ali que ela começou a entender o impacto invisível do ambiente sobre a saúde.

Aos 14 anos, descobriu a saúde pública e passou a conectar pontos que quase ninguém enxergava: racismo ambiental, deficiência e crise climática. “Quanto mais isolarmos deficiência e clima, mais longe estaremos de soluções equitativas”, defende.
Seu ativismo já a levou até a ONU, onde participou de uma conversa com António Guterres, e a colocou como uma das vozes jovens mais influentes nas maiores greves climáticas do mundo, em 2019. Também atuou como consultora de acessibilidade na Marcha pelo Fim dos Combustíveis Fósseis, que reuniu mais de 75 mil pessoas em Nova York.
Para Daphne, as soluções existem, mas falta decisão política: “Só precisamos convencer as pessoas de que vale a pena financiá-las.” Enquanto isso, ela encontra forças no movimento jovem global: “Estou cercada pela comunidade. Não faço esse trabalho sozinha.”
🌱 No Brasil: Artemisa Xakriabá, a guardiã indígena do clima
No Brasil, uma voz ecoa com a mesma força que Daphne Frias: a da jovem liderança indígena Artemisa Xakriabá. Membro do povo Xakriabá, em Minas Gerais, ela se tornou referência internacional na defesa do meio ambiente e na luta contra as mudanças climáticas.

Artemisa também entende que clima e vida estão diretamente conectados. Em seus discursos — que já chegaram à ONU e à COP27 — ela denuncia como o desmatamento, a mineração e a poluição afetam não só a floresta, mas a saúde e a sobrevivência de povos inteiros.
Assim como Daphne, Artemisa aposta na juventude como motor da transformação. Sua fala mistura urgência e esperança, lembrando que proteger a terra não é apenas uma questão ambiental, mas de justiça social, cultural e humana.















