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El Niño 2026–2027: plano apresentado em Brasília prepara SUS para calor, seca, queimadas e enchentes

31/08/2026
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Ministério da Saúde prevê período crítico entre outubro de 2026 e março de 2027 e organiza resposta do SUS para diferentes impactos climáticos nas cinco regiões do país

Com a intensificação do El Niño e a possibilidade de eventos climáticos extremos nos próximos meses, o Sistema Único de Saúde (SUS) prepara uma estratégia nacional para enfrentar consequências que podem variar de ondas de calor e queimadas a enchentes, seca e aumento de doenças.

O Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026–2027 foi apresentado pelo Ministério da Saúde durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), realizada em Brasília.

A previsão considerada pelo governo aponta uma janela crítica entre outubro de 2026 e março de 2027. Os possíveis efeitos, no entanto, mudam de acordo com cada região brasileira.

No Norte e Centro-Oeste, estão entre os principais riscos a seca, estiagem e queimadas. Para o Nordeste, a preocupação envolve agravamento da seca e temperaturas elevadas. No Sudeste, o cenário inclui ondas de calor e temporais, enquanto o Sul pode enfrentar chuvas intensas e maior risco de inundações.

Como o SUS pretende se preparar para o El Niño

A estratégia apresentada aos gestores estaduais está organizada em cinco frentes.

Uma delas é a criação de mecanismos de coordenação entre União, estados e municípios, incluindo uma Sala de Situação de Emergências Climáticas.

Internamente, o Ministério da Saúde também trabalhará com uma Sala de Situação Saúde e Clima, destinada ao acompanhamento dos impactos das condições ambientais sobre a saúde da população.

Outra frente envolve a disponibilidade de recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica.

A Força Nacional do SUS (FN-SUS) também integra o planejamento. A proposta prevê bases regionais capazes de mobilizar equipes para áreas afetadas por emergências em até 48 horas.

O quinto eixo prevê a organização de serviços e protocolos de saúde de acordo com as características e vulnerabilidades de cada bioma.

Calor, fumaça e surtos entram no monitoramento

A preparação para o El Niño também passa pelo uso de sistemas capazes de identificar situações de risco antes que seus efeitos sobre a população se agravem.

Entre as ferramentas utilizadas está o Painel Nacional de Excesso de Calor, que acompanha situações de temperaturas extremas.

Outro instrumento é o VigiAR, sistema de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos. O monitoramento ganha especial importância diante da possibilidade de queimadas e aumento da exposição à fumaça em determinadas regiões.

O GeoRisk e os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) também fazem parte da estrutura. Os centros integram um projeto-piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões brasileiras.

A estratégia prevê ainda maior integração entre sistemas como e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan, com o objetivo de facilitar a detecção precoce de surtos e outros problemas de saúde.

Mudanças climáticas ampliam desafios para a saúde pública

Os efeitos de um evento climático extremo não se limitam ao momento em que uma enchente, seca ou onda de calor acontece.

Temperaturas elevadas podem agravar problemas de saúde e aumentar a demanda por atendimento. Queimadas comprometem a qualidade do ar, enquanto enchentes podem afetar o abastecimento de água, causar deslocamentos populacionais e criar condições favoráveis para diferentes doenças.

A seca, por sua vez, pode comprometer tanto a disponibilidade quanto a qualidade da água em comunidades vulneráveis.

Por isso, a preparação do SUS está associada a uma estratégia de prazo mais longo.

O Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima do Ministério da Saúde, o AdaptaSUS, prevê 27 metas e 93 ações até 2035 voltadas à adaptação do setor aos impactos das mudanças climáticas.

Entre as medidas relacionadas à segurança hídrica em áreas sujeitas a seca e estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas em 397 municípios de sete estados, com investimento de R$ 226,6 milhões destinado a unidades de melhoria sanitária.

Amazônia exige estratégia específica

A preparação para situações de emergência na Amazônia leva em consideração as grandes distâncias e a dificuldade de acesso a determinadas comunidades.

O planejamento envolve a organização da rede de atenção, equipes de saúde e a estrutura das Unidades Básicas de Saúde Fluviais, utilizadas para alcançar populações localizadas em áreas onde os deslocamentos ocorrem principalmente pelos rios.

O Ministério da Saúde também anunciou a criação de um painel de especialistas em clima e saúde. O grupo deverá fornecer subsídios técnicos para decisões relacionadas à prevenção e à resposta aos impactos dos eventos climáticos.

A expectativa é que o acompanhamento conjunto de informações meteorológicas, ambientais e epidemiológicas permita ao SUS antecipar riscos e organizar recursos antes que situações extremas se transformem em emergências sanitárias.

Fonte: Ministério da Saúde / Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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