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“Honestino”: filme com Bruno Gagliasso resgata memória de líder estudantil da UnB

12/08/2026
Bruno Gagliasso em cena do filme 'Honestino' - Divulgação

Bruno Gagliasso em cena do filme 'Honestino' - Divulgação

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Dirigido por Aurélio Michiles, longa mistura documentário, ficção e imagens de arquivo para reconstruir a trajetória de Honestino Guimarães, desaparecido durante a ditadura militar

Brasília, sua universidade e uma geração de jovens que viveu entre projetos de transformação e a escalada da repressão política estão no centro de “Honestino”, filme de Aurélio Michiles que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 13 de agosto. Bruno Gagliasso interpreta Honestino Guimarães nas passagens ficcionais da produção, que combina dramatização, documentos históricos, cartas, poemas, fotografias e depoimentos.

O longa recupera a trajetória de um dos nomes mais representativos do movimento estudantil brasileiro durante a ditadura militar e, ao mesmo tempo, devolve ao público uma história intimamente ligada à construção de Brasília e aos primeiros anos da Universidade de Brasília.

Honestino Monteiro Guimarães nasceu em Itaberaí, em Goiás, em 1947. Sua família mudou-se para Brasília em 1960, ano da inauguração da capital. Ainda estudante secundarista, ele começou a participar do movimento estudantil e, posteriormente, ingressou na UnB, onde cursou Geologia e assumiu posições de liderança entre os estudantes.

A UnB como espaço de memória

Em “Honestino”, Brasília não funciona apenas como cenário. A cidade ajuda a explicar o personagem e o período histórico retratado.

A Universidade de Brasília, concebida nos primeiros anos da nova capital, tornou-se também um espaço de intensa mobilização estudantil durante o regime militar. É nesse ambiente que a trajetória política de Honestino ganha dimensão nacional.

Ele chegou à presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) e permaneceu sob perseguição dos órgãos de repressão. Registros da Comissão Nacional da Verdade apontam que Honestino desapareceu em 1973, aos 26 anos, após ser preso. Seu corpo nunca foi localizado.

Ao escolher essa história, Aurélio Michiles aproxima o espectador não apenas do militante político, mas também do jovem, do estudante, do pai e do amigo.

Essa dimensão humana é uma das chaves da produção.

Documentário encontra a ficção

Com 86 minutos de duração, “Honestino” é um filme brasileiro produzido em 2025 e construído a partir de uma linguagem híbrida. O roteiro é assinado por Aurélio Michiles e André Finotti, e a produção é de Nilson Rodrigues.

Bruno Gagliasso não aparece simplesmente como protagonista de uma cinebiografia convencional. O ator incorpora Honestino nas sequências dramatizadas, enquanto documentos, registros audiovisuais e testemunhos de familiares, amigos e militantes ajudam a recompor diferentes fragmentos de sua vida.

A opção permite ao filme transitar entre a memória pessoal e a História brasileira — e também lidar com aquilo que permanece sem resposta.

Em vez de pretender preencher todas as lacunas deixadas pelo desaparecimento, a produção utiliza justamente cartas, poemas, imagens e lembranças para reconstruir a presença de um personagem que o aparato repressivo tentou apagar.

O desaparecimento e o reconhecimento do Estado

A história de Honestino ganhou novos capítulos institucionais décadas depois de seu desaparecimento.

Em 2014, o governo federal declarou Honestino Guimarães anistiado político post mortem e determinou a retificação de seu atestado de óbito, para registrar como causa da morte os atos de violência praticados pelo Estado brasileiro.

Dados reunidos a partir do trabalho da Comissão Nacional da Verdade incluem Honestino entre os 434 mortos e desaparecidos políticos reconhecidos no período da ditadura militar.

É esse encontro entre memória individual, documentação histórica e reconhecimento institucional que dá ao filme uma dimensão que ultrapassa a biografia.

Uma história brasileira com endereço em Brasília

Para o público brasiliense, “Honestino” ganha significado particular.

A trajetória do estudante está vinculada a lugares, instituições e episódios que fazem parte da própria memória da capital. Décadas depois, seu nome permanece presente em Brasília — inclusive na Ponte Honestino Guimarães, denominação que também se tornou parte do debate local sobre memória histórica.

O diretor Aurélio Michiles viveu aquele ambiente universitário e retorna ao período não apenas como realizador, mas também como alguém cuja própria trajetória passou pela UnB daqueles anos. A escolha ajuda a explicar o caráter pessoal do projeto.

Antes de chegar ao circuito comercial, “Honestino” já havia passado por importantes festivais brasileiros. O filme integrou a 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e esteve na Première Brasil do Festival do Rio de 2025, onde André Finotti recebeu o Troféu Redentor de Melhor Montagem.

Agora, com a estreia nacional, essa história volta ao espaço público por meio do cinema.

Mais de cinco décadas depois do desaparecimento de Honestino Guimarães, o filme transforma arquivos, lembranças e silêncios em matéria cinematográfica — e aproxima novas gerações de uma parte decisiva da história de Brasília e do Brasil.

Serviço

Honestino
Estreia: 13 de agosto de 2026
Direção: Aurélio Michiles
Roteiro: Aurélio Michiles e André Finotti
Com: Bruno Gagliasso
Produção: Brasil, 2025
Duração: 86 minutos
Distribuição: Pandora Filmes
Classificação: Livre, segundo a Cinemateca Brasileira.
Onde: cinemas brasileiros; a programação deve ser consultada nas salas e plataformas de venda de ingressos.

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