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Espetáculo “Eu Capitu” chega a Brasília: uma reflexão pelo olhar feminino no teatro

04/04/2024
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Foto: Daniel Barboza

Peça que já percorreu o Brasil busca dar voz às mulheres em um mundo narrado por homens.

Depois de um grande sucesso de público no Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, o espetáculo “Eu Capitu” chega pela primeira vez a Brasília. A produção, com texto de Carla Faour e direção de Miwa Yanagizawa, oferece ao espectador uma releitura do clássico romance de Machado de Assis através do olhar feminino. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Brasília (SCES Trecho 2) até 17 de março de 2024, sempre de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos estão disponíveis a preços populares: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Além das apresentações regulares, o projeto terá sessões acessíveis nos dias 02 de março (com LIBRAS) e 09 de março (com Audiodescrição). Uma roda de conversa afetiva com a equipe do espetáculo e duas oficinas gratuitas completam a programação, que pode ser conferida no site bb.com.br/cultura.

O espetáculo, que conta a história sob o ponto de vista de Ana, uma menina prestes a entrar na adolescência, que testemunha o término do relacionamento abusivo de sua mãe, estará em cartaz no Distrito Federal durante o mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher. A obra surge como um alerta para o aumento dos casos de feminicídio, especialmente no Distrito Federal, que se tornou a unidade da federação com o maior número de mortes de mulheres por questões de gênero, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Para isso, a peça utiliza um olhar fantástico e atual para unir a ficção em cena à dura realidade das mulheres vítimas de violência.

“No início, eu sabia que não queria uma peça realista. Se o tema era tão duro e pesado, eu queria abordá-lo de forma doce e lúdica, criando um universo simbólico e metafórico”, explica Carla Faour, ressaltando que a peça dá voz às mulheres em um mundo onde a narrativa é predominantemente masculina, seja na política, nas artes, na história ou nas famílias. “No texto, todo o universo é visto pela perspectiva desta menina, que está deixando a infância para trás e ingressando na adolescência, um momento de extrema vulnerabilidade. Ela tenta então entender as escolhas da mãe, o significado de ser mulher e também o próprio livro de Machado de Assis”, comenta a autora.

O espetáculo conta com o patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

Sinopse do espetáculo:

Desde pequena, Ana tem o hábito de se refugiar em um mundo imaginário como forma de escapar dos problemas em casa. Sua mãe, Leninha, vive um relacionamento abusivo com o marido. A tensão doméstica reflete no desempenho escolar da menina, que precisa tirar boas notas em Literatura para não repetir o ano. A prova final é sobre a obra “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. No entanto, a leitura afeta Ana diretamente, fazendo-a enxergar paralelos entre o livro e sua própria vida. Em seu refúgio fantástico, Ana começa a misturar ficção e realidade e é visitada por uma mulher misteriosa, que se assemelha à sua mãe. Aos poucos, descobrimos que esta mulher é Capitu, a icônica personagem da obra de Machado. Nesses encontros, Ana dá voz a essa mulher, que conhecemos apenas pelo olhar masculino. Essa improvável ligação serve à menina, que está se tornando adolescente, como um rito de passagem para o universo feminino adulto, onde ela começa a compreender o que significa ser mulher em um mundo narrado predominantemente por homens.

Esta é a história da produção que se baseia nas provocações da obra original de Machado de Assis e reflete sobre o machismo, as dores e os silenciamentos das mulheres contemporâneas.

“No palco, as atrizes interpretam uma história que se passa no Brasil de hoje, onde Ana, uma adolescente presa em um ambiente de tensão doméstica, presencia o fim do relacionamento abusivo de sua mãe. Nos interessa provocar a plateia, convidando-a a imaginar outras narrativas possíveis, a conscientizar-se das coisas através de múltiplas perspectivas. Portanto, levantamos questões juntas e as exploramos ao invés de buscar soluções definitivas”, destaca Miwa.

A diretora foi convidada para dirigir “Eu Capitu” pelo produtor Felipe Valle, idealizador do projeto, após testemunhar indiretamente um episódio de violência doméstica no qual não conseguiu intervir e teve a denúncia rejeitada pela polícia. O sentimento de impotência o levou intuitivamente a pensar em “Dom Casmurro”. Ao reler o livro com uma perspectiva atual, Valle percebeu toda a violência contida naquela obra clássica e decidiu trazê-la para os holofotes sob o olhar feminino. “O convite para direção, escrita e encenação não foi em vão. São as mulheres que darão vida a esta história tão atual, eterna, cheia de nuances, simbolismos e dos machismos do nosso dia a dia”, enfatiza.

Atividades extras:

Além da peça e das interações, o grupo oferecerá duas oficinas gratuitas. A primeira, chamada “Eu Outra”, ministrada por Miwa Yanagizawa, propõe a construção de atritos entre narrativas pessoais e ficcionais a partir de objetos afetivos escolhidos pelas participantes. Público-alvo: artistas e estudantes de teatro. A oficina intensiva ocorrerá no dia 2 de março, das 15h às

18h. A capacidade é para 15 pessoas e as inscrições são gratuitas através do link bit.ly/EuOutraBSB.

Já a segunda oficina, de produção cultural com Felipe Valle, será voltada para artistas, produtores e agentes culturais em geral. O curso abordará os passos para a criação, planejamento e elaboração de um projeto cultural, incluindo apresentação, objetivos, justificativa, cronograma, público-alvo, contrapartidas, plano de divulgação, democratização do acesso e orçamento. Esta ocorrerá no dia 16 de março, das 15h às 18h, no Teatro do CCBB Brasília, com capacidade para 327 vagas. As inscrições também são gratuitas através do link bit.ly/OficinaProducaoBSB.

Ficha técnica:

  • Direção Artística: Miwa Yanagizawa
  • Texto: Carla Faour
  • Diretora Assistente: Maria Lucas
  • Idealização e Direção Geral: Felipe Valle
  • Direção de Produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal (Pagu Produções Culturais)
  • Coordenação de Projeto: Trupe Produções Artísticas
  • Elenco: Flávia Pyramo e Mika Makino
  • Direção Sonora, Trilha Original e Preparação Vocal: Azullllllll
  • Direção de Arte: Teresa Abreu
  • Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
  • Produção Executiva: Fernando Queiroz
  • Design Gráfico e Fotografia: Daniel Barboza
  • Assessoria de Imprensa: Start Capital Comunicação
  • Produtora Associada: Pagu Produções Culturais
  • Realização: Trupe Produções Artísticas
  • Produção Local: Villa-Lobos Produções
  • Patrocínio: Banco do Brasil

Sobre o CCBB Brasília

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília foi inaugurado em 12 de outubro de 2000, e está sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, e tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.

Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, o CCBB Brasília dispõe de amplos espaços de convivência, bistrô, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.

Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, patrocinado pelo Banco do Brasil, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), acolhendo o público espontâneo e, especialmente, milhares de estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições ao longo do ano, por meio de visitas mediadas agendadas, além de oferecer atividades de arte e educação aos fins de semana.

Desde o final de 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, sendo que no ano de 2023, obteve a renovação anual da certificação, como reconhecimento do compromisso com a gestão ambiental e a sustentabilidade.

A conquista atende à Ação 24 da Agenda 30, que tem por objetivo reforçar a gestão dos programas, iniciativas e práticas ambientais e de ecoeficiência do BB e demonstra o alinhamento do CCBB Brasília a estratégia corporativa do BB, enquanto espaço de difusão cultural que valoriza a diversidade, a acessibilidade, a inclusão e a sustentabilidade porque transformar vidas é parte da nossa cultura.

Serviço: espetáculo “Eu Capitu” chega pela primeira vez a Brasília

  • Local: Teatro do CCBB Brasília (Setor de Clubes Sul)
  • Data: De 22 de fevereiro a 17 de março de 2024
  • Horários:
  • Quinta a sábado, às 20h
  • Domingo, às 18h
  • Datas Especiais:
  • 02/03 – Sessão com LIBRAS e roda de conversa após o espetáculo
  • 09/03 – Sessão com audiodescrição
  • Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), disponibilizados toda sexta-feira, às 12h.
  • Classificação: 14 anos
  • Duração: 90 minutos
  • Formulário de Inscrição das Oficinas:
  • Oficina “Eu Outra” – 02 de março
  • Oficina de Produção Cultural – 16 de março

Não perca essa oportunidade de vivenciar uma obra que provoca reflexões profundas sobre o papel da mulher na sociedade, em um espetáculo que une arte, sensibilidade e consciência social.

Conteúdo produzido em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília.

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