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“Dolores” transforma sonho, afeto e sobrevivência feminina em cinema brasileiro de alta voltagem

19/05/2026
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Dirigido por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, longa estreia em 4 de junho nos cinemas, após passagem por festivais como San Sebastián, Roterdã, Tiradentes, Festival do Rio e Mostra de São Paulo

Há filmes que se constroem a partir de grandes acontecimentos. Outros preferem olhar para o que pulsa no cotidiano: o desejo de mudar de vida, a tensão entre mãe e filha, os sonhos que parecem improváveis, mas continuam resistindo. “Dolores”, novo longa dirigido por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, pertence a esse segundo grupo — e é justamente daí que vem sua força.

Com estreia marcada para 4 de junho nos cinemas brasileiros, o filme acompanha uma mulher de 65 anos que tem uma premonição: sua vida vai mudar. Dolores, interpretada por Carla Ribas, acredita que será dona de um cassino de sucesso. O problema é que esse sonho toca diretamente em uma ferida do passado: ela já foi viciada em jogos.

Ao redor dela, outras duas mulheres também tentam redesenhar seus destinos. Deborah, sua única filha, vivida por Naruna Costa, espera a saída do namorado da prisão para começar uma nova etapa. Já Duda, neta de Dolores, interpretada por Ariane Aparecida, trabalha em uma loja de armas e sonha com a possibilidade de se mudar para os Estados Unidos. Três gerações, três desejos de futuro e uma mesma aposta: transformar a realidade antes que ela as engula.

O elenco reúne ainda Gilda Nomacce, Teca Pereira, Zezé Motta, Roney Villela, Bruno Kott e Mateus Fagundes. Premiado em festivais, o longa teve destaque recente no 21º Panorama Coisa de Cinema, em Salvador, onde Carla Ribas, Naruna Costa e Ariane Aparecida receberam um prêmio conjunto por suas atuações. Em maio, o filme também integrou a mostra Brazil on Film, do British Film Institute, na Inglaterra, que destacou a performance de Carla Ribas.

Um filme sobre mulheres que se recusam a caber no destino

“Dolores” é realizado por uma equipe formada majoritariamente por mulheres e encerra a chamada trilogia do afeto, desenvolvida pelo cineasta Chico Teixeira, morto em 2019. A trilogia começou com “Casa de Alice”, de 2007, e seguiu com “Ausência”, de 2014. Agora, Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar retomam o projeto deixado por Chico e dão continuidade a um universo atravessado por relações familiares complexas, desejos reprimidos, frustrações, ciúmes, cuidado e sobrevivência.

A escolha de colocar personagens femininas no centro da narrativa não é apenas estética. É também política. O filme olha para mulheres que acordam cedo, dormem tarde, trabalham, sustentam afetos, carregam marcas e, ainda assim, encontram maneiras de imaginar outras possibilidades para si.

Dolores, nesse sentido, é uma personagem feita de contradições. Ela tem defeitos, encantos, impulsos e uma recusa insistente em abandonar o sonho de uma vida melhor. A periferia de São Paulo, cenário da trama, aparece não como pano de fundo genérico, mas como espaço de conflito, invenção, desejo e fabulação.

No universo do filme, sonho e realidade se atravessam. O cassino imaginado por Dolores não é apenas uma fantasia extravagante: é uma forma de rebeldia. É o gesto de quem se permite desejar mesmo quando tudo ao redor parece dizer o contrário.

A força da trilogia do afeto

Ao encerrar a trilogia iniciada por Chico Teixeira, “Dolores” também conversa com uma tradição do cinema brasileiro interessada em personagens comuns, relações íntimas e dramas silenciosos. Em vez de buscar heroínas idealizadas, o filme aposta em mulheres reais, marcadas por ambiguidades e por um desejo profundo de transformação.

Marcelo Gomes, diretor de obras como “Cinema, Aspirinas e Urubus”, e Maria Clara Escobar, realizadora de “Desterro” e “Os Dias Com Ele”, assinam juntos a direção e o roteiro. O roteiro original é de Chico Teixeira e Sabina Anzuategui.

A produção é de Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu, com coprodução da GT Produções, produção associada da Misti Filmes e distribuição da California Filmes. O longa é produzido pela Dezenove Som e Imagens, com apoio da Spcine e do programa de Internacionalização Brasil no Mundo, do Projeto Paradiso.

Reconhecimento em festivais

Antes de chegar ao circuito comercial, “Dolores” percorreu importantes vitrines do cinema nacional e internacional. O longa foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Mostra de Tiradentes, no Festival de San Sebastián, onde teve sua estreia mundial, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Festival do Rio e no Panorama Coisa de Cinema, em Salvador.

Essa trajetória reforça a dimensão artística do filme e seu diálogo com temas universais: família, liberdade, desejo, envelhecimento, maternidade, periferia e o direito de sonhar.

Em tempos em que muitas narrativas ainda reduzem mulheres maduras a papéis secundários, “Dolores” escolhe uma protagonista de 65 anos para conduzir a história. E faz isso sem condescendência. A personagem não pede licença para existir em sua complexidade.

Sinopse

Às vésperas de completar 65 anos, Dolores tem uma premonição: sua vida vai mudar. Ela será dona de um cassino de sucesso. Mas seu passado de vício em jogo pode jogar contra ela. Deborah, sua única filha, espera a saída do namorado da prisão para começar uma nova vida. Duda, neta de Dolores, agarra-se à chance de trabalhar nos Estados Unidos. Juntas, as três mulheres tentam transformar seus sonhos de uma vida melhor em realidade, apostando tudo ou nada.


Ficha técnica

Título: Dolores
País: Brasil
Ano: 2025
Duração: 84 minutos
Direção: Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Elenco: Carla Ribas, Naruna Costa, Ariane Aparecida, Gilda Nomacce, Teca Pereira, Zezé Motta, Roney Villela, Bruno Kott e Mateus Fagundes
Roteiro original: Chico Teixeira e Sabina Anzuategui
Roteiro: Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Produção: Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu
Coprodução: GT Produções
Produção associada: Misti Filmes
Direção de fotografia: Joana Luz
Direção de arte: Juliana Lobo
Montagem: Isabela Monteiro de Castro Araujo
Música original: Felipe Botelho
Distribuição no Brasil: California Filmes
Estreia nos cinemas: 4 de junho

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