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Home Educação

Educadoras voluntárias levam leitura e pertencimento a comunidades da Amazônia

18/05/2026
Acervo VagaLume

Acervo VagaLume

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No Mês do Educador, a Vaga Lume destaca o trabalho de professoras que atuam em bibliotecas comunitárias e ajudam a transformar o acesso aos livros em instrumento de identidade, vínculo e futuro

Em regiões da Amazônia Legal onde as distâncias são longas e o acesso ao livro ainda é desigual, professoras, estudantes e mediadores de leitura cumprem um papel que vai muito além da sala de aula. Em comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas e rurais, são esses educadores que ajudam a manter vivas as histórias compartilhadas, os vínculos comunitários e o direito de crianças e adolescentes à imaginação.

Celebrado em 28 de maio, o Dia do Educador ganha um significado especial nesse contexto. A data convida ao reconhecimento de mulheres que fazem da leitura uma ferramenta de acolhimento, pertencimento e transformação social.

Na rede de voluntariado da Vaga Lume, organização que atua com bibliotecas comunitárias na Amazônia Legal, cerca de 30% dos voluntários são professoras. A presença expressiva de educadoras revela uma conexão direta entre o ato de ensinar e o compromisso de ampliar o acesso à literatura para além dos muros da escola.

Bibliotecas como espaços de identidade e futuro

Uma dessas histórias é a de Tainá Silva Cabral, moradora da comunidade quilombola de Macapazinho, no Pará. Criada em meio a memórias, saberes e narrativas de seu território, ela hoje contribui para que crianças e adolescentes também possam se reconhecer nas histórias que leem.

Entre a graduação em Pedagogia, o estágio na escola local e o trabalho voluntário na biblioteca comunitária integrada à rede da Vaga Lume, Tainá encontrou um espaço que dialoga diretamente com a educação em que acredita.

Para ela, a biblioteca é mais do que um lugar de incentivo à leitura. É um ambiente de convivência, escuta e fortalecimento da identidade quilombola.

“A biblioteca comunitária se conecta profundamente comigo porque é um espaço de aprendizagem, acolhimento e transformação. É ali que crianças, adolescentes e adultos têm acesso à leitura, à imaginação e ao fortalecimento da nossa identidade quilombola. Como futura pedagoga, acredito que a educação vai além da sala de aula, incentivando e despertando sonhos e o prazer de aprender”, afirma.

Leitura também nasce das histórias da comunidade

A mais de três mil quilômetros dali, na Comunidade Indígena Renascer, em Novo Airão, no Amazonas, a trajetória da educadora voluntária Naline Cabral também mostra como os livros podem fortalecer culturas e abrir caminhos.

Crédito: Mediação de Leitura em Menino Deus, Portel (PA) – Kleber José Jr. – Vaga Lume

A chegada da Vaga Lume ao território aconteceu como um encontro entre saberes. De um lado, as memórias, narrativas e conhecimentos ancestrais já transmitidos entre gerações. De outro, o acesso aos livros e às práticas de mediação de leitura promovidas pela organização.

Segundo Naline, o contato com a literatura despertou novos interesses entre crianças e adolescentes, que passaram a se enxergar também como autores, ilustradores e contadores de histórias.

“Poder ver o sorriso no rosto das crianças e despertar sonhos de pessoas que querem ser leitores, ilustradores e autores dos próprios livros não tem preço. O projeto mostrou para muita gente daqui que as nossas histórias também podem ser contadas e compartilhadas”, conta.

Os resultados já aparecem dentro da própria comunidade. Moradores passaram a criar livros artesanais, registrar narrativas locais e transformar vivências em produções literárias.

“Já temos pessoas escrevendo seus próprios livros artesanais e contando histórias da comunidade. O projeto inspirou crianças, jovens e adultos a se tornarem leitores, escritores e ilustradores, e isso é muito significativo para nós”, completa Naline.

O papel das educadoras na formação de leitores

Para Lia Jamra, diretora-executiva da Vaga Lume, a forte presença de professoras no voluntariado ajuda a explicar a história e a força da organização.

“Na Vaga Lume, temos uma presença muito forte de voluntárias que também são professoras em suas comunidades, e isso faz diferença no envolvimento das crianças com a leitura. São educadoras que transformam a biblioteca em um espaço vivo de descoberta, imaginação e vínculo com os livros, muitas vezes ampliando o contato das crianças com experiências literárias para além da escola”, destaca.

Segundo a gestora, histórias como as de Tainá e Naline mostram que o trabalho das voluntárias ultrapassa a mediação de leitura. Ele também cria espaços onde crianças e adolescentes podem se reconhecer, preservar memórias e projetar novos futuros.

“Ao aproximarem as crianças dos livros, essas educadoras também ajudam a fortalecer identidades, preservar histórias e ampliar perspectivas de futuro. Em territórios onde o acesso à leitura ainda é limitado, são elas, entre tantos outros voluntários da nossa rede, que mantêm viva a ideia de que a literatura pode ser também espaço de pertencimento e continuidade cultural”, conclui Lia.

Sobre a Vaga Lume

Acervo VagaLume

Criada em 2001, a Vaga Lume está presente em 23 municípios da Amazônia Legal, com 102 bibliotecas comunitárias em funcionamento. Desde sua fundação, a organização já doou 195 mil livros, formou mais de 6 mil mediadores de leitura e impactou a vida de 111 mil crianças e jovens.

A associação tem como propósito empoderar crianças e jovens de comunidades rurais da Amazônia por meio da leitura, da escrita, da oralidade e da gestão de bibliotecas comunitárias, promovendo intercâmbios culturais e fortalecendo o protagonismo local.

A Vaga Lume também acumula reconhecimentos importantes. Em 2024, recebeu pela terceira vez o Selo de Direitos Humanos e Diversidade da Prefeitura de São Paulo. Em 2023, foi eleita, também pela terceira vez, como a Melhor ONG de Educação do Brasil pelo Prêmio Melhores ONGs, do Instituto Doar. A organização ainda foi contemplada pelo prêmio United Earth Amazônia, na categoria ESG, recebeu apoio da filantropa MacKenzie Scott e venceu, em 2022, o Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura.

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