Foto: Tânia Rêgo
A cidade do Rio de Janeiro está prestes a testemunhar um marco histórico significativo: a possível transformação da antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em um Centro de Memória e Direitos Humanos. Esta iniciativa, atualmente em discussão através de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF), visa não só preservar, mas também honrar a memória daqueles que foram vítimas de repressão e tortura durante o regime militar.
Localizado no coração da Lapa, o prédio histórico do antigo Dops tem testemunhado momentos sombrios da história brasileira. Desde os anos 80, encontra-se abandonado e em estado avançado de deterioração, o que torna ainda mais urgente a necessidade de sua preservação.
O MPF, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), está avaliando a proposta de transformação apresentada pelo Coletivo RJ Memória Verdade Justiça e Reparação. Este grupo, composto por entidades constituídas por ex-presos políticos, parentes de mortos e desaparecidos, e militantes de direitos humanos, destaca a importância de preservar este espaço como um local de preservação da memória política do povo brasileiro.
O prédio do antigo Dops já foi reconhecido como patrimônio cultural pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1987. Este reconhecimento ressalta a importância histórica e simbólica deste local, que não só preserva elementos físicos como carceragens, documentos da época e salas de revestimento acústico – indicativos de uso para tortura – mas também representa um marco e testemunho das lutas populares pela liberdade.
O procurador da República Julio José Araujo Junior, autor do pedido de instauração do inquérito, enfatiza que a memória não é apenas um olhar ao passado, mas uma ferramenta para entender o presente e moldar o futuro. Esta iniciativa visa superar o enaltecimento do regime autoritário, reconhecendo as violações praticadas e honrando aqueles que foram vítimas de assassinatos, desaparecimentos forçados, torturas e outras práticas ilícitas pelo Estado.
Além de ser um passo crucial na preservação da memória histórica do Brasil, a transformação do antigo Dops em um Centro de Memória e Direitos Humanos também promete ser um espaço educacional e de reflexão. Este local poderá servir como um ponto de encontro para o aprendizado sobre os eventos do passado, promovendo o compromisso com os direitos humanos, a democracia e a justiça.
Estamos diante de uma oportunidade única de transformar um símbolo de repressão em um local de aprendizado, reflexão e compromisso com os valores fundamentais da sociedade brasileira. A cidade do Rio de Janeiro, com sua rica história e cultura, tem a chance de preservar este legado sombrio e transformá-lo em uma luz para o futuro.
Este é um convite para todos os cidadãos, estudantes, historiadores e defensores dos direitos humanos se unirem neste esforço para preservar nossa história e garantir que as gerações futuras possam aprender com os erros do passado. Juntos, podemos construir um futuro mais justo e democrático para todos.