{"id":9368,"date":"2024-11-19T10:22:09","date_gmt":"2024-11-19T13:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=9368"},"modified":"2024-11-25T17:58:24","modified_gmt":"2024-11-25T20:58:24","slug":"incidentes-de-viajem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=9368","title":{"rendered":"Incidentes de viagem"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Imagem\/divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s alguns dias inesquec\u00edveis viajando por Israel, chegou a hora de voltar para casa. No entanto, a viagem de retorno ainda passaria por outro pa\u00eds: a Fran\u00e7a, mais especificamente, pela famosa e movimentada \u201cCidade Luz\u201d, Paris.<br>No aeroporto de Tel Aviv, a primeira miss\u00e3o era enfrentar uma fila intermin\u00e1vel para o check-in. Por mais<br>que tentasse disfar\u00e7ar, um certo receio tomava conta de mim. A tens\u00e3o de saber que os agentes de<br>seguran\u00e7a poderiam abrir minhas malas para uma verifica\u00e7\u00e3o de rotina tornava a espera ainda mais<br>angustiante. N\u00e3o tinha nada a temer porque n\u00e3o transportava nada proibido. Mas tinha objetos que<br>poderiam sofrer danos ou quebrar. O melhor era ficar calmo e aguardar a minha vez.<br>De repente, os alto-falantes anunciaram uma evacua\u00e7\u00e3o urgente do sagu\u00e3o de embarque devido a uma<br>amea\u00e7a de bomba. Para um israelense, talvez isso fosse algo relativamente comum, mas para n\u00f3s,<br>viajantes ocasionais naquele pa\u00eds, foi no m\u00ednimo aterrorizante.<br>A not\u00edcia causou uma grande agita\u00e7\u00e3o, com pessoas correndo de um lado para o outro. Felizmente, ap\u00f3s<br>o p\u00e2nico inicial, a situa\u00e7\u00e3o foi controlada e o caos diminuiu. O alerta de bomba, \u00e9 claro, causou um atraso<br>no voo, mas finalmente todos embarcaram e o avi\u00e3o decolou em um c\u00e9u claro e tranquilo (o famoso \u201cc\u00e9u<br>de brigadeiro\u201d).<br>\u05ea\u05d5\u05d0\u05e8\u05ea\u05d4\u05dc \u05d0\u05e8\u05e9\u05d9\u05dcLehitra&#8217;ot, Israel! (Tchau, Israel!)<br>Ap\u00f3s 3h30 de voo, chegamos a Paris.<br>A alegria pela chegada e o al\u00edvio de um voo tranquilo duraram pouco. Ao retirar as malas, notei que uma<br>delas estava bem danificada \u2013 dizendo assim para ser elegante mesmo, pois ela estava mesmo era<br>literalmente destru\u00edda. A frustra\u00e7\u00e3o foi instant\u00e2nea. J\u00e1 bastava o estresse da evacua\u00e7\u00e3o e o atraso, e agora<br>isso? Juntando a barreira do idioma, meu nervosismo s\u00f3 aumentava, como uma tempestade que parecia<br>n\u00e3o ter fim.<br>Felizmente, um agente da companhia a\u00e9rea rapidamente se aproximou e, com certa surpresa, me<br>informou que haveria uma compensa\u00e7\u00e3o imediata: um voucher no valor de uma mala nova e algumas<br>milhas para usar em futuros voos. O problema estava resolvido, mas, sinceramente, o cansa\u00e7o j\u00e1 estava<br>batendo forte. &#8220;Agora, vamos para o hotel&#8221;, pensei.<br>\u201cAllez Paris!\u201d<br>Chegamos ao hotel, exaustos de toda a situa\u00e7\u00e3o. Afinal, agruras para entrar no avi\u00e3o, um alerta de bomba<br>e uma mala destru\u00edda j\u00e1 eram mais do que o suficiente para um dia de viagem. E quem diria, mas mais<br>uma surpresa ainda nos aguardava.<br>A recep\u00e7\u00e3o do hotel era no t\u00e9rreo, mas o acesso aos quartos su\u00edtes eram por um elevador localizado em<br>um andar intermedi\u00e1rio, com acesso por uma escada rolante. Com as tr\u00eas malas nas m\u00e3os, apressei-me<br>para pegar a escada rolante. No entanto, ao colocar o p\u00e9 no primeiro degrau, uma das malas escorregou.<br>Ao tentar peg\u00e1-la, perdi o equil\u00edbrio e ca\u00ed de forma desastrosa, ficando de costas, com as pernas para o<br>ar, como uma tartaruga virada. Sem for\u00e7as para me levantar, ainda escutava os gritos de socorro da minha<br>esposa, pedindo ajuda.<br>A escada rolante continuava subindo enquanto eu estava ali, imobilizado e sem rea\u00e7\u00e3o.<br>Foi ent\u00e3o que, como um verdadeiro milagre, apareceu o Pastor Law, um dos organizadores da excurs\u00e3o \u00e0<br>Israel. Com seus quase dois metros de altura, ele correu at\u00e9 mim e, com muita for\u00e7a, me puxou, me tirando daquela situa\u00e7\u00e3o bizarra. Algumas pessoas disseram que eu havia passado por um livramento,<br>pois, se n\u00e3o fosse pelo Pastor Law, eu poderia ter sa\u00eddo dali ferido \u2013 ou, no m\u00ednimo, sem cabelo!<br>Ap\u00f3s o resgate, os outros membros da excurs\u00e3o se aproximaram para saber como eu estava, enquanto<br>minha esposa, l\u00e1 embaixo, orava agradecida por aquele livramento. Finalmente, consegui chegar ao meu<br>quarto. O rel\u00f3gio marcava 22h. Est\u00e1vamos exaustos, mas ainda precis\u00e1vamos resolver uma \u00faltima<br>pend\u00eancia: a fome.<br>Minha esposa, impaciente, come\u00e7ou a pedir para que eu sa\u00edsse e comprasse alguma coisa. Cansado, fui<br>at\u00e9 o elevador e, ao descer, procurei o restaurante do hotel. Mesmo estando muito cansado, eu tinha<br>grandes esperan\u00e7as de que aquele hotel tinha um \u201csalvador\u201d sandu\u00edche, que todo hotel tem.<br>Mas, acreditem, h\u00e1 o famoso ditado, \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o ruim que n\u00e3o possa piorar\u201d.<br>O atendente n\u00e3o entendia o que eu dizia e, para agravar, eu n\u00e3o compreendia o que ele respondia. A<br>situa\u00e7\u00e3o parecia sa\u00edda de uma com\u00e9dia de erros. Quando eu j\u00e1 estava quase desistindo, um senhor que<br>observava a cena se aproximou e, em espanhol, traduziu o que eu tentava explicar: eu s\u00f3 queria dois<br>sandu\u00edches e dois sucos. O atendente parecia finalmente entender, e me gesticulou para que eu voltasse<br>ao quarto e aguardasse o pedido.<br>Aliviado, subi para o quarto. Passados alguns minutos, a campainha tocou e eu fui, ansioso, abrir a porta.<br>Para minha surpresa, o pedido chegou em duas bandejas enormes, recheadas de sandu\u00edches e sucos,<br>muito mais do que eu havia solicitado.<br>A comanda do pedido mostrava: 12 sandu\u00edches e 3 garrafas de suco de laranja, com um custo de \u20ac185<br>(cento e oitenta e cinco euros). Eu tentei argumentar que n\u00e3o era aquilo o que eu queria ou tinha pedido,<br>mas, sem compreens\u00e3o m\u00fatua, optei por pagar o valor absurdo e evitar mais complica\u00e7\u00f5es.<br>Ap\u00f3s o pagamento, o gar\u00e7om permaneceu ali, de bra\u00e7os cruzados, olhando fixamente para mim. Foi ent\u00e3o<br>que ele fez um gesto claro: queria uma gorjeta. Sem dinheiro, fiz o mesmo gesto, sinalizando que j\u00e1 havia<br>pago tudo. Ele, visivelmente irritado, saiu do quarto, batendo a porta com for\u00e7a.<br>Finalmente, resolvemos comer. Pegamos dois sandu\u00edches para nosso lanche e o restante foi distribu\u00eddo<br>posteriormente entre os amigos da viagem.<br>E assim terminou aquele dia, repleto de contratempos e surpresas.<br>Um dia que, no fim das contas, s\u00f3 podia ser resumido em um sentimento: &#8211; sobrevivemos! &#8211; Ufa!<br><br><em>Beltides Rocha<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem\/divulga\u00e7\u00e3o Ap\u00f3s alguns dias inesquec\u00edveis viajando por Israel, chegou a hora de voltar para casa. No entanto, a viagem de retorno ainda passaria por outro pa\u00eds: a Fran\u00e7a, mais especificamente, pela famosa e movimentada \u201cCidade Luz\u201d, Paris.No aeroporto de Tel Aviv, a primeira miss\u00e3o era enfrentar uma fila intermin\u00e1vel para o check-in. 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