{"id":20920,"date":"2026-10-28T15:27:51","date_gmt":"2026-10-28T18:27:51","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=20920"},"modified":"2026-10-28T15:27:56","modified_gmt":"2026-10-28T18:27:56","slug":"juliana-galbetti-leva-instalacao-feita-com-residuos-de-tiros-a-veneza-e-convida-publico-a-caminhar-sobre-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=20920","title":{"rendered":"Juliana Galbetti leva instala\u00e7\u00e3o feita com res\u00edduos de tiros a Veneza e convida p\u00fablico a caminhar sobre a viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Finalista do Arte Laguna Prize 2026, artista brasileira apresenta \u201cEra do Ru\u00eddo\u201d, obra de 16 m\u00b2 que transforma c\u00e1psulas de muni\u00e7\u00e3o e proj\u00e9teis deformados em uma reflex\u00e3o sobre mem\u00f3ria, viol\u00eancia e paz.<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se os vest\u00edgios da viol\u00eancia contempor\u00e2nea fossem encontrados por arque\u00f3logos daqui a centenas de anos? O que diriam sobre a sociedade em que vivemos? Essas perguntas est\u00e3o no centro de \u201cEra do Ru\u00eddo\u201d (Age of Noise), instala\u00e7\u00e3o da artista brasileira Juliana Galbetti, que ser\u00e1 apresentada em Veneza, na It\u00e1lia, de 6 a 29 de novembro de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Selecionada para a <strong>21\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Arte Laguna Prize<\/strong>, uma das plataformas internacionais de incentivo \u00e0 arte contempor\u00e2nea, a artista transforma res\u00edduos de disparos de armas de fogo em uma experi\u00eancia que aproxima arqueologia, mem\u00f3ria e reflex\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra integra a exposi\u00e7\u00e3o dos finalistas das 20\u00aa e 21\u00aa edi\u00e7\u00f5es do pr\u00eamio, no hist\u00f3rico <strong>Arsenale Nord<\/strong>, reunindo 240 artistas selecionados nas duas edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20921\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-300x200.jpg 300w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-768x512.jpg 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-2048x1364.jpg 2048w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-1320x879.jpg 1320w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-750x500.jpg 750w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Juliana-Galbetti_Foto-PaolayRenato_7Bienal_do_Sertao_0032-1140x760.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma instala\u00e7\u00e3o sobre a viol\u00eancia sob nossos p\u00e9s<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com <strong>16 metros quadrados<\/strong>, \u201cEra do Ru\u00eddo\u201d re\u00fane c\u00e1psulas de muni\u00e7\u00e3o deflagradas, proj\u00e9teis deformados e outros fragmentos recolhidos em locais de pr\u00e1tica de tiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizados em vitrines horizontais com estruturas met\u00e1licas e vidro temperado, os objetos poder\u00e3o ser observados de uma perspectiva incomum: o p\u00fablico ser\u00e1 convidado a caminhar sobre as superf\u00edcies transparentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A disposi\u00e7\u00e3o lembra um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, mas apresenta uma diferen\u00e7a essencial. Os materiais n\u00e3o pertencem a uma civiliza\u00e7\u00e3o desaparecida. S\u00e3o vest\u00edgios de atividades que continuam acontecendo no presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA apresenta\u00e7\u00e3o em vitrines de ch\u00e3o caminh\u00e1veis aproxima os fragmentos dos modos de exposi\u00e7\u00e3o da arqueologia, mas aquilo que est\u00e1 sob nossos p\u00e9s n\u00e3o pertence a uma civiliza\u00e7\u00e3o desaparecida. S\u00e3o vest\u00edgios de uma pr\u00e1tica ainda em opera\u00e7\u00e3o\u201d, explica a artista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta desloca o olhar sobre objetos associados a disparos e transforma aquilo que seria descartado em mat\u00e9ria de observa\u00e7\u00e3o e questionamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Arqueologia do futuro: o presente como vest\u00edgio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instala\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de uma pesquisa iniciada h\u00e1 cinco anos. Concebida para a <strong>7\u00aa Bienal do Sert\u00e3o<\/strong>, realizada em Diamantina, Minas Gerais, em 2025, a obra ganhar\u00e1 uma vers\u00e3o ampliada para sua apresenta\u00e7\u00e3o na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o processo, Juliana reuniu em seu ateli\u00ea mais de <strong>300 quilos de res\u00edduos<\/strong>, entre estojos de muni\u00e7\u00e3o, fragmentos met\u00e1licos, pl\u00e1sticos e materiais cer\u00e2micos utilizados como alvos em pr\u00e1ticas de tiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho envolve coleta, limpeza, classifica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos objetos. A metodologia se aproxima da organiza\u00e7\u00e3o de acervos museol\u00f3gicos e permite observar diferen\u00e7as de forma, composi\u00e7\u00e3o e marcas de impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em di\u00e1logo com o arque\u00f3logo Danilo Ribeiro Zardo, a artista investigou como esses materiais poderiam ser interpretados caso fossem encontrados em uma escava\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta ultrapassa a fun\u00e7\u00e3o original dos objetos e alcan\u00e7a o comportamento coletivo: o que a quantidade e a repeti\u00e7\u00e3o desses vest\u00edgios revelam sobre a sociedade que os produz?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entre a beleza dos materiais e o desconforto da reflex\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos aspectos mais provocativos da instala\u00e7\u00e3o est\u00e1 no contraste entre sua apar\u00eancia visual e o significado dos objetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O brilho dos metais, a organiza\u00e7\u00e3o rigorosa e a transpar\u00eancia das vitrines podem despertar curiosidade e at\u00e9 admira\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Por\u00e9m, a aproxima\u00e7\u00e3o revela materiais relacionados a disparos de armas de fogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A artista utiliza esse contraste para questionar como atribu\u00edmos valor, significado e visibilidade aos objetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cInteressa-me quando aquilo que nos atrai tamb\u00e9m nos faz interrogar o que estamos vendo \u2013 e os crit\u00e9rios com que estamos olhando\u201d, afirma Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra n\u00e3o pretende reproduzir cenas de viol\u00eancia. Sua proposta \u00e9 investigar os vest\u00edgios materiais de uma pr\u00e1tica e criar uma dist\u00e2ncia temporal que permita observar o presente como se j\u00e1 pertencesse \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse percurso, a ideia de paz surge como uma possibilidade a ser constru\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEstamos diante de um passado que ainda estamos produzindo\u201d, observa a artista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Brasileira entre finalistas de pr\u00eamio internacional<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Natural de <strong>Joinville, Santa Catarina<\/strong>, e radicada em S\u00e3o Paulo, Juliana Galbetti foi selecionada entre mais de 3 mil inscri\u00e7\u00f5es internacionais para integrar o grupo de 120 finalistas da 21\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Arte Laguna Prize.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sele\u00e7\u00e3o foi realizada por um j\u00fari internacional que contou com o curador brasileiro H\u00e9lio Menezes, cocurador da 35\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de nomes como Yuko Hasegawa, Sarah Crowe, Wang Chunchen, Gianluigi Ricuperati, Linzi Stauvers e Jemima Kulumba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o em Veneza ter\u00e1 curadoria de Xiaoyu Weng e Jemima Kulumba e reunir\u00e1 os finalistas das duas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es do pr\u00eamio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundado em 2006 pela Associa\u00e7\u00e3o MoCA, o Arte Laguna Prize completa 20 anos em 2026, consolidando sua atua\u00e7\u00e3o na valoriza\u00e7\u00e3o e na circula\u00e7\u00e3o internacional de artistas contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abertura da exposi\u00e7\u00e3o coincide com as \u00faltimas semanas da Bienal de Veneza, per\u00edodo de intensa movimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural na cidade italiana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem \u00e9 Juliana Galbetti?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascida em 1976, Juliana Galbetti \u00e9 formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina e iniciou sua trajet\u00f3ria nas artes visuais em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua produ\u00e7\u00e3o transita entre instala\u00e7\u00e3o, escultura, desenho, fotografia, processos t\u00eaxteis e pr\u00e1ticas participativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A artista investiga como objetos, arquivos e sistemas de classifica\u00e7\u00e3o influenciam a maneira como constru\u00edmos mem\u00f3ria, atribu\u00edmos valor e percebemos a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suas obras, a\u00e7\u00f5es como coletar, comparar, organizar e reorganizar materiais tornam-se procedimentos art\u00edsticos capazes de revelar significados que frequentemente passam despercebidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com \u201cEra do Ru\u00eddo\u201d, Juliana leva essa pesquisa a uma dimens\u00e3o internacional, transformando fragmentos associados \u00e0 viol\u00eancia em um convite para refletir sobre o futuro que estamos construindo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o \u2014 Juliana Galbetti no Arte Laguna Prize 2026<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exposi\u00e7\u00e3o:<\/strong> Finalistas das 20\u00aa e 21\u00aa edi\u00e7\u00f5es do Arte Laguna Prize<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Artista:<\/strong> Juliana Galbetti<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Obra:<\/strong> Era do Ru\u00eddo (Age of Noise)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Per\u00edodo:<\/strong> 6 a 29 de novembro de 2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Local:<\/strong> Arsenale Nord \u2014 Sestiere Castello, Veneza, It\u00e1lia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hor\u00e1rio:<\/strong> diariamente, das 10h \u00e0s 18h<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Entrada:<\/strong> gratuita<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> MoCA APS \u2014 Modern and Contemporary Art<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> <a href=\"https:\/\/artelagunaprize.com\/exhibition-2026\/\">https:\/\/artelagunaprize.com\/exhibition-2026\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cr\u00e9dito da imagem: Divulga\u00e7\u00e3o\/Juliana Galbetti.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Finalista do Arte Laguna Prize 2026, artista brasileira apresenta \u201cEra do Ru\u00eddo\u201d, obra de 16 m\u00b2 que transforma c\u00e1psulas de muni\u00e7\u00e3o e proj\u00e9teis deformados em uma reflex\u00e3o sobre mem\u00f3ria, viol\u00eancia e paz. 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