{"id":19949,"date":"2026-09-22T17:12:11","date_gmt":"2026-09-22T20:12:11","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=19949"},"modified":"2026-09-22T17:12:16","modified_gmt":"2026-09-22T20:12:16","slug":"morre-zuenir-ventura-aos-95-anos-referencia-do-jornalismo-e-da-literatura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=19949","title":{"rendered":"Morre Zuenir Ventura, aos 95 anos, refer\u00eancia do jornalismo e da literatura brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autor de \u201c1968 \u2013 O Ano que N\u00e3o Terminou\u201d e \u201cCidade Partida\u201d, jornalista construiu trajet\u00f3ria de mais de seis d\u00e9cadas e ocupava a Cadeira n\u00ba 32 da Academia Brasileira de Letras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista e escritor <strong>Zuenir Ventura morreu nesta ter\u00e7a-feira (22), aos 95 anos<\/strong>, no Rio de Janeiro. Um dos nomes de refer\u00eancia do jornalismo brasileiro, ele construiu uma trajet\u00f3ria de mais de seis d\u00e9cadas dedicada \u00e0 reportagem, \u00e0 literatura e \u00e0 reflex\u00e3o sobre momentos decisivos da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), Ventura morreu em casa, em decorr\u00eancia de uma pneumonia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascido em <strong>1\u00ba de junho de 1931, em Al\u00e9m Para\u00edba, Minas Gerais<\/strong>, Zuenir Carlos Ventura exerceu diferentes atividades antes de consolidar a carreira na imprensa. Trabalhou como pintor, office-boy e arquivista e tamb\u00e9m foi professor universit\u00e1rio. Formado em Letras Neolatinas, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua trajet\u00f3ria no jornalismo come\u00e7ou em 1956. Ao longo das d\u00e9cadas seguintes, passou por importantes ve\u00edculos da imprensa brasileira, exercendo fun\u00e7\u00f5es de rep\u00f3rter, editor, chefe de reportagem, diretor de reda\u00e7\u00e3o e colunista. Entre os ve\u00edculos nos quais trabalhou est\u00e3o <strong>Correio da Manh\u00e3, Jornal do Brasil, O Globo, O Cruzeiro, Vis\u00e3o e Veja<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um livro que marcou a mem\u00f3ria de 1968<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre suas obras mais conhecidas est\u00e1 <strong>\u201c1968 \u2013 O Ano que N\u00e3o Terminou\u201d<\/strong>, livro-reportagem que se tornou refer\u00eancia para a compreens\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e culturais daquele per\u00edodo no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra tamb\u00e9m serviu de inspira\u00e7\u00e3o para o autor Gilberto Braga na cria\u00e7\u00e3o da miniss\u00e9rie <strong>\u201cAnos Rebeldes\u201d<\/strong>, exibida pela TV Globo em 1992.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o de Zuenir com aquele per\u00edodo ultrapassava a atividade de observador e rep\u00f3rter. Ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 5, em dezembro de 1968, ele chegou a ser preso durante a ditadura militar enquanto trabalhava na revista <em>Vis\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Chico Mendes e o jornalismo de reportagem<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro cap\u00edtulo marcante da carreira ocorreu ap\u00f3s o assassinato do l\u00edder seringueiro <strong>Chico Mendes<\/strong>, em 1988. Zuenir viajou ao Acre para acompanhar o caso e produziu uma s\u00e9rie de reportagens sobre o crime e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho recebeu importantes reconhecimentos do jornalismo brasileiro, entre eles os pr\u00eamios <strong>Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, aquela experi\u00eancia tamb\u00e9m chegaria aos livros em <strong>\u201cChico Mendes: Crime e Castigo\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cCidade Partida\u201d e o retrato da viol\u00eancia urbana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zuenir voltou sua aten\u00e7\u00e3o para a desigualdade e a viol\u00eancia urbana em <strong>\u201cCidade Partida\u201d<\/strong>, publicado ap\u00f3s uma longa experi\u00eancia de reportagem em Vig\u00e1rio Geral, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho teve como ponto de partida a chacina ocorrida na comunidade em 1993, quando 21 pessoas foram mortas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao acompanhar de perto o cotidiano da regi\u00e3o, o jornalista construiu uma narrativa sobre as divis\u00f5es sociais do Rio de Janeiro e as rela\u00e7\u00f5es entre viol\u00eancia, cidadania e desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>1995, \u201cCidade Partida\u201d conquistou o segundo lugar do Pr\u00eamio Jabuti na categoria Reportagem<\/strong>, reconhecimento registrado no hist\u00f3rico oficial da premia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De rep\u00f3rter a imortal da Academia Brasileira de Letras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desses t\u00edtulos, Zuenir publicou obras como <strong>\u201c1968: O que Fizemos de N\u00f3s\u201d<\/strong> e <strong>\u201cSagrada Fam\u00edlia\u201d<\/strong>, mantendo ao longo da carreira uma produ\u00e7\u00e3o que transitava entre mem\u00f3ria, reportagem, cr\u00f4nica e literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>30 de outubro de 2014<\/strong>, foi eleito para a <strong>Cadeira n\u00ba 32 da Academia Brasileira de Letras<\/strong>, sucedendo Ariano Suassuna. Tomou posse em <strong>6 de mar\u00e7o de 2015<\/strong>, recebido pela acad\u00eamica Cleonice Berardinelli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo de mais de seis d\u00e9cadas, Zuenir Ventura acompanhou e registrou transforma\u00e7\u00f5es profundas da sociedade brasileira. Sua obra aproximou a investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica da narrativa liter\u00e1ria e deixou como legado livros que permanecem como refer\u00eancias para compreender diferentes momentos da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em nota de pesar, o <strong>Minist\u00e9rio da Cultura (MinC)<\/strong> manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profiss\u00e3o e leitores do jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Academia Brasileira de Letras informou que o corpo de Zuenir Ventura ser\u00e1 velado nesta quarta-feira (23), na sede da institui\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro, e posteriormente sepultado no mausol\u00e9u da ABL, no Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor de \u201c1968 \u2013 O Ano que N\u00e3o Terminou\u201d e \u201cCidade Partida\u201d, jornalista construiu trajet\u00f3ria de mais de seis d\u00e9cadas e ocupava a Cadeira n\u00ba 32 da Academia Brasileira de Letras O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta ter\u00e7a-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. 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