{"id":19498,"date":"2026-08-19T16:11:07","date_gmt":"2026-08-19T19:11:07","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=19498"},"modified":"2026-08-19T16:11:08","modified_gmt":"2026-08-19T19:11:08","slug":"pequeno-monstro-recria-caio-fernando-abreu-e-estreia-nova-montagem-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=19498","title":{"rendered":"\u2018Pequeno Monstro\u2019 recria Caio Fernando Abreu e estreia nova montagem em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">C<strong>om Leon Ramos em cena, espet\u00e1culo da C\u00e9lula de Cria\u00e7\u00e3o Homograma chega \u00e0 Pra\u00e7a Roosevelt em setembro e coloca desejo, sexualidade e identidade queer no centro da dramaturgia<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p>Trinta anos depois da morte de <strong>Caio Fernando Abreu<\/strong>, uma das vozes mais marcantes da literatura brasileira contempor\u00e2nea, sua obra continua encontrando novos corpos, linguagens e gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 desse encontro que nasce a nova vers\u00e3o de <strong>\u201cPequeno Monstro\u201d<\/strong>, espet\u00e1culo da <strong>C\u00e9lula de Cria\u00e7\u00e3o Homograma<\/strong> que estreia temporada em S\u00e3o Paulo no dia <strong>9 de setembro<\/strong>, na SP Escola de Teatro, na Pra\u00e7a Roosevelt.<\/p>\n\n\n\n<p>Com <strong>Leon Ramos<\/strong> em cena e dire\u00e7\u00e3o de <strong>Jo\u00e3o Mar e Pedro Silva<\/strong>, que tamb\u00e9m assina a dramaturgia, o solo poder\u00e1 ser visto at\u00e9 24 de setembro, \u00e0s quartas e quintas-feiras, \u00e0s 20h30. A montagem parte do conto hom\u00f4nimo de Caio Fernando Abreu, mas n\u00e3o pretende simplesmente transport\u00e1-lo para o palco: transforma a narrativa em ponto de partida para discutir quem pode desejar, quais corpos s\u00e3o considerados aceit\u00e1veis e por que aquilo que foge \u00e0 norma tantas vezes recebe o nome de \u201cmonstruoso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada a S\u00e3o Paulo acontece depois de um processo de recria\u00e7\u00e3o desenvolvido entre <strong>Cear\u00e1, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo<\/strong>. Em agosto, o espet\u00e1culo passou pelo Porto Iracema das Artes, em Fortaleza, onde a nova concep\u00e7\u00e3o j\u00e1 apresentou ao p\u00fablico sua combina\u00e7\u00e3o de dramaturgia, proje\u00e7\u00f5es, m\u00fasica, coreografia e cenografia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma obra reconstru\u00edda do zero<\/h2>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de \u201cPequeno Monstro\u201d dentro da Homograma remonta a 2014, quando Pedro Silva criou uma primeira cena curta baseada no conto de Caio Fernando Abreu. A pesquisa ganhou continuidade e levou a uma montagem apresentada em S\u00e3o Paulo em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>A vers\u00e3o de <strong>2026, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma simples remontagem<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dramaturgia, est\u00e9tica, refer\u00eancias e linguagem c\u00eanica foram repensadas, num processo que ganhou for\u00e7a com a entrada de Leon Ramos e sua resid\u00eancia art\u00edstica de quatro meses em Fortaleza. O ator mineiro optou inclusive por ter pouco contato com a vers\u00e3o anterior para construir seu pr\u00f3prio caminho dentro da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa reinven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se relaciona ao momento em que o espet\u00e1culo retorna aos palcos. Em <strong>25 de fevereiro de 2026 completaram-se tr\u00eas d\u00e9cadas da morte de Caio Fernando Abreu<\/strong>, autor cuja obra atravessa temas como desejo, solid\u00e3o, sexualidade, medo, afetos e experi\u00eancias LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de transformar a efem\u00e9ride em homenagem nost\u00e1lgica, a companhia escolhe confrontar a literatura de Caio com quest\u00f5es do Brasil atual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem \u00e9 o \u201cmonstro\u201d?<\/h2>\n\n\n\n<p>No centro da montagem est\u00e1 a descoberta sexual de um jovem dentro do ambiente familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, \u201cPequeno Monstro\u201d atravessa <strong>desejo, culpa, mem\u00f3ria, erotismo, abandono, identidade e reinven\u00e7\u00e3o<\/strong>. A dramaturgia \u00e9 organizada em um pr\u00f3logo e nove quadros e expande o universo do conto ao dialogar com escritores e dramaturgos como <strong>Clarice Lispector, Hilda Hilst, Jean Genet, Allen Ginsberg, Eur\u00edpides e S\u00f3focles<\/strong>, al\u00e9m de incorporar textos do pr\u00f3prio Leon Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessa constru\u00e7\u00e3o que surge a chamada <strong>\u201cTeoria Monstro\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo desloca a ideia de monstruosidade: o \u201cmonstro\u201d deixa de representar apenas aquele que esconde o pr\u00f3prio desejo e passa a questionar quem estabeleceu os limites do que seria normal, aceit\u00e1vel ou excessivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia \u00edntima, assim, assume tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem determina quais corpos podem desejar? Quando uma sexualidade passa a ser vista como amea\u00e7a? E o que acontece quando aquilo que provocava vergonha se transforma em identidade e pertencimento?<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o perguntas que aproximam o conto escrito por Caio Fernando Abreu de discuss\u00f5es contempor\u00e2neas sobre experi\u00eancias queer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ballroom, m\u00fasica e performance ajudam a construir a cena<\/h2>\n\n\n\n<p>A nova montagem tamb\u00e9m amplia o di\u00e1logo entre teatro, dan\u00e7a, performance e cultura pop.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Leon Ramos esteja sozinho em cena, \u201cPequeno Monstro\u201d evita a estrutura convencional do mon\u00f3logo. <strong>Proje\u00e7\u00f5es, ilumina\u00e7\u00e3o, m\u00fasica, cen\u00e1rio, movimento e a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com a plateia<\/strong> participam da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o corporal e coreografia s\u00e3o assinadas por <strong>Prava de Avalankx<\/strong>, artista ligada \u00e0 cultura Ballroom. J\u00e1 a trilha original de <strong>Maia Caos<\/strong> cruza refer\u00eancias da m\u00fasica brasileira, da cultura Ballroom e da m\u00fasica pop.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio criado por <strong>Levi Frota e \u00cdcaro Trocoli<\/strong>, um grande prisma assume diferentes fun\u00e7\u00f5es. Pode ser quarto, mem\u00f3ria, espa\u00e7o \u00edntimo ou territ\u00f3rio imagin\u00e1rio do protagonista, transformando-se com proje\u00e7\u00f5es e luz.<\/p>\n\n\n\n<p>O figurino segue l\u00f3gica semelhante. Refer\u00eancias urbanas, festas, l\u00e1tex, m\u00e1scaras e imagens associadas ao corpo idealizado ajudam a expor as muitas personas criadas para existir em lugares onde a diferen\u00e7a nem sempre \u00e9 aceita.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-724x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19499\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-724x1024.png 724w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-212x300.png 212w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-768x1086.png 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-1086x1536.png 1086w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-1448x2048.png 1448w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-750x1061.png 750w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-1140x1612.png 1140w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Jac-Ferreira-3-scaled.png 1810w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Jac Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do Tarzan a H\u00e9rcules<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das altera\u00e7\u00f5es evidencia como a companhia deslocou a hist\u00f3ria para outras refer\u00eancias geracionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os livros de <strong>Tarzan<\/strong> participam do imagin\u00e1rio do personagem no texto original, a nova dramaturgia incorpora uma fita VHS de <strong>\u201cH\u00e9rcules\u201d<\/strong>, aproximando a mem\u00f3ria afetiva do universo audiovisual dos anos 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha coloca frente a frente dois imagin\u00e1rios: de um lado, o her\u00f3i associado \u00e0 for\u00e7a, beleza e virilidade; de outro, o monstro que escapa das expectativas estabelecidas sobre o corpo e o desejo.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 justamente nesse confronto que a montagem encontra parte de sua for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cPequeno Monstro\u201d, erotismo e sexualidade n\u00e3o ficam escondidos atr\u00e1s de met\u00e1foras confort\u00e1veis. O corpo passa a ser linguagem e campo de disputa, enquanto o espet\u00e1culo investiga os limites entre aquilo que uma sociedade permite mostrar, dizer e desejar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caio Fernando Abreu, 30 anos depois<\/h2>\n\n\n\n<p>A perman\u00eancia da literatura de Caio Fernando Abreu entre novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o se resume \u00e0s quest\u00f5es LGBTQIA+. Sua obra construiu um retrato afetivo e inquieto de uma gera\u00e7\u00e3o marcada por repress\u00e3o, solid\u00e3o, desejo, medo e transforma\u00e7\u00f5es culturais, mantendo influ\u00eancia sobre leitores e artistas d\u00e9cadas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPequeno Monstro\u201d parte dessa mem\u00f3ria sem transform\u00e1-la em pe\u00e7a de museu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao reunir artistas LGBTQIAP+ de diferentes gera\u00e7\u00f5es e regi\u00f5es do pa\u00eds, a montagem busca produzir uma mem\u00f3ria pr\u00f3pria \u2014 constru\u00edda por quem est\u00e1 em cena e nos bastidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da etapa de recria\u00e7\u00e3o no Cear\u00e1, o espet\u00e1culo chega agora a S\u00e3o Paulo trazendo consigo uma pergunta que atravessa o tempo desde Caio Fernando Abreu: <strong>e se o monstro for apenas o nome dado \u00e0quilo que se recusa a caber?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"677\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-677x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19500\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-677x1024.jpg 677w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-198x300.jpg 198w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-768x1162.jpg 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-1015x1536.jpg 1015w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-1354x2048.jpg 1354w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-750x1134.jpg 750w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-1140x1724.jpg 1140w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto_-Ezequiel-Vieira-3-scaled.jpg 1692w\" sizes=\"auto, (max-width: 677px) 100vw, 677px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Ezequeil Vieira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>PEQUENO MONSTRO<\/strong><br>C\u00e9lula de Cria\u00e7\u00e3o Homograma<br><strong>Com:<\/strong> Leon Ramos<br><strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Jo\u00e3o Mar e Pedro Silva<br><strong>Dramaturgia:<\/strong> Pedro Silva, a partir do conto de Caio Fernando Abreu<br><strong>Quando:<\/strong> 9 a 24 de setembro de 2026<br><strong>Dias:<\/strong> quartas e quintas-feiras<br><strong>Hor\u00e1rio:<\/strong> 20h30<br><strong>Onde:<\/strong> SP Escola de Teatro \u2014 Pra\u00e7a Roosevelt, 210, Centro, S\u00e3o Paulo<br><strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 50 minutos<br><strong>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong> 18 anos<br><strong>Ingressos:<\/strong> R$ 10 a R$ 20, pelo Sympla.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com Leon Ramos em cena, espet\u00e1culo da C\u00e9lula de Cria\u00e7\u00e3o Homograma chega \u00e0 Pra\u00e7a Roosevelt em setembro e coloca desejo, sexualidade e identidade queer no centro da dramaturgia Trinta anos depois da morte de Caio Fernando Abreu, uma das vozes mais marcantes da literatura brasileira contempor\u00e2nea, sua obra continua encontrando novos corpos, linguagens e gera\u00e7\u00f5es. 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