{"id":19180,"date":"2026-07-02T19:48:28","date_gmt":"2026-07-02T22:48:28","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=19180"},"modified":"2026-07-02T19:48:29","modified_gmt":"2026-07-02T22:48:29","slug":"stalking-e-violencia-psicologica-contra-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=19180","title":{"rendered":"Stalking e viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Camilla Sanches<\/em>*<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, foi divulgado o Panorama da Viol\u00eancia contra a Mulher no Distrito Federal, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estat\u00edstica do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher do DF. O estudo traz, entre outros dados relevantes, o perfil dos homens envolvidos nesses crimes, incluindo idade, n\u00edvel de escolaridade e antecedentes criminais. Mais do que isso, evidencia que o feminic\u00eddio n\u00e3o possui uma causa \u00fanica ou isolada. Trata-se de um fen\u00f4meno complexo, marcado por fatores como a forma como esses autores foram socializados \u2014 pautado em ideias de autoridade, puni\u00e7\u00e3o, dificuldade em pedir ajuda e a imposi\u00e7\u00e3o do papel de provedor. <\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o machismo sustenta essa estrutura de viol\u00eancia. O que ainda recebe pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que, antes de culminar no crime fatal, h\u00e1 um hist\u00f3rico prolongado de agress\u00f5es, muitas vezes praticadas ao longo de anos. A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de viol\u00eancia contra a mulher: f\u00edsica, sexual, moral, patrimonial e psicol\u00f3gica. Soma-se a elas a viol\u00eancia vic\u00e1ria, quando o agressor atinge filhos ou familiares para ferir a mulher, inclu\u00edda este ano pela Lei n\u00ba 15.384.<\/p>\n\n\n\n<p>Como jornalista, atuei durante sete anos na cobertura da viol\u00eancia dom\u00e9stica no DF, at\u00e9 me tornar v\u00edtima de um crime ainda pouco discutido nesse contexto: o stalking. O termo refere-se \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o reiterada da v\u00edtima, por meios f\u00edsicos ou digitais, e se insere no campo da viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Deriva do verbo ingl\u00eas <em>to stalk<\/em>, que significa \u201cperseguir\u201d, \u201cespreitar\u201d, \u201cca\u00e7ar furtivamente\u201d. A express\u00e3o ganhou visibilidade nos anos 1980, nos Estados Unidos, para descrever f\u00e3s obsessivos que perseguiam celebridades. Com o tempo, passou a designar qualquer forma de persegui\u00e7\u00e3o persistente. No Brasil, foi tipificado como crime em 2021, pela Lei n\u00ba 14.132, que define como conduta criminosa perseguir algu\u00e9m de maneira insistente, invadindo sua privacidade e provocando medo ou amea\u00e7a \u00e0 integridade f\u00edsica ou psicol\u00f3gica. Nesses casos, o agressor (o stalker) mant\u00e9m a v\u00edtima em constante estado de tens\u00e3o. Ele restringe sua liberdade, compromete seu direito de ir e vir e invade sua esfera pessoal. Entre as pr\u00e1ticas mais comuns est\u00e3o o envio excessivo de mensagens e liga\u00e7\u00f5es, a cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos para contato, e o uso de terceiros, como amigos e familiares da v\u00edtima, para se aproximar da mesma. N\u00e3o se trata de exagero, tampouco de demonstra\u00e7\u00e3o de afeto: \u00e9 crime. A pena varia de seis meses a dois anos de reclus\u00e3o, al\u00e9m de multa, podendo ser agravada quando praticada contra mulheres por raz\u00f5es de g\u00eanero, contra pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ou com o uso de armas ou participa\u00e7\u00e3o de mais de uma pessoa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">A viol\u00eancia psicol\u00f3gica, muitas vezes invisibilizada, pode causar danos profundos, por vezes at\u00e9 mais devastadores que a viol\u00eancia f\u00edsica.<\/mark><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia psicol\u00f3gica, muitas vezes invisibilizada, pode causar danos profundos, por vezes at\u00e9 mais devastadores que a viol\u00eancia f\u00edsica. Ins\u00f4nia, ansiedade, irritabilidade, palpita\u00e7\u00f5es, altera\u00e7\u00f5es de peso, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e preju\u00edzos na vida profissional e acad\u00eamica s\u00e3o algumas de suas consequ\u00eancias. O processo de recupera\u00e7\u00e3o pode ser longo e impactar significativamente a vida da mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 fundamental fortalecer e divulgar a rede de prote\u00e7\u00e3o. Nenhuma mulher est\u00e1 sozinha. O Estado disp\u00f5e de mecanismos para acolher, proteger e apoiar v\u00edtimas, oferecendo caminhos reais para a reconstru\u00e7\u00e3o de uma vida livre de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s anos informando sobre preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, posso afirmar: essas medidas funcionam. Dados mostram que cerca de 80% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio n\u00e3o possu\u00edam medidas protetivas de urg\u00eancia, e a maioria nunca havia registrado ocorr\u00eancia contra o agressor. Embora existam casos de descumprimento, \u00e9 <strong>a desinforma\u00e7\u00e3o que os protege.<\/strong> Assim, \u00e9 importante destacar que essa viola\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 pris\u00e3o do autor e, quando em liberdade, ele pode ser monitorado por tornozeleira eletr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma mulher merece viver sob amea\u00e7a, seja ela f\u00edsica ou emocional. No Distrito Federal, h\u00e1 duas Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher (DEAM I e II), localizadas na Asa Sul e em Ceil\u00e2ndia. Caso a v\u00edtima n\u00e3o possa ou n\u00e3o queira comparecer pessoalmente, \u00e9 poss\u00edvel registrar a ocorr\u00eancia e solicitar medidas protetivas pela internet, <a href=\"https:\/\/www.pcdf.df.gov.br\/servicos\/delegacia-eletronicav\">no site da Pol\u00edcia Civil<\/a>. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea prazo de at\u00e9 48 horas para decis\u00e3o judicial, embora, no DF, esse tempo costume ser inferior a 24 horas.Tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis canais telef\u00f4nicos: 197 (op\u00e7\u00e3o 3, da PCDF), Disque 100 ou 180 (Governo Federal) e, em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, se o ofensor estiver perto ou invadir sua casa, ligue para o 190, da Pol\u00edcia Militar do DF.N\u00e3o estamos sozinhas. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos erradas. N\u00e3o estamos loucas. N\u00e3o merecemos viver aprisionadas pelo medo. Busque ajuda. Sua sa\u00fade mental, sua dignidade e sua vida t\u00eam valor e \u00e9 poss\u00edvel recome\u00e7ar, livre da viol\u00eancia.<br><br>*<em>Camilla Sanches \u00e9 jornalista e assessora de comunica\u00e7\u00e3o no TJDFT<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camilla Sanches* Recentemente, foi divulgado o Panorama da Viol\u00eancia contra a Mulher no Distrito Federal, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estat\u00edstica do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher do DF. 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