{"id":18422,"date":"2026-05-14T16:35:45","date_gmt":"2026-05-14T19:35:45","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=18422"},"modified":"2026-05-14T16:35:47","modified_gmt":"2026-05-14T19:35:47","slug":"amor-juventude-e-contracultura-sob-a-ditadura-alberto-fuguet-retrata-uma-geracao-em-certos-garotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=18422","title":{"rendered":"Amor, juventude e contracultura sob a ditadura: Alberto Fuguet retrata uma gera\u00e7\u00e3o em Certos garotos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ambientado no Chile dos anos 1980, romance publicado pelo selo Tusquets mistura pol\u00edtica, descoberta afetiva e cultura pop em uma hist\u00f3ria sens\u00edvel sobre identidade, desejo e liberdade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O escritor e cineasta chileno <strong>Alberto Fuguet<\/strong> chega \u00e0s livrarias brasileiras com <em>Certos garotos<\/em>, romance publicado pelo selo <strong>Tusquets<\/strong>, da <strong>Editora Planeta<\/strong>. Ambientada em Santiago, em 1986, a obra mergulha na juventude chilena em meio \u00e0s tens\u00f5es da ditadura militar, quando o toque de recolher, a repress\u00e3o e a incerteza atravessavam a vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a esse cen\u00e1rio pol\u00edtico sufocante, Fuguet constr\u00f3i uma narrativa \u00edntima sobre dois jovens em busca de liberdade, pertencimento e desejo. O resultado \u00e9 um romance geracional que combina mem\u00f3ria hist\u00f3rica, cultura pop, descoberta afetiva e a for\u00e7a silenciosa das transforma\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra foi destacada pelo jornal <em>El Pa\u00eds<\/em> como \u201cum romance de f\u00f4lego, um retrato ambicioso de uma \u00e9poca e de uma comunidade\u201d, reconhecendo a habilidade de Fuguet em recriar uma cena underground marcada por m\u00fasica, cinema, fanzines e inquieta\u00e7\u00e3o criativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dois jovens, uma cidade em tens\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>No centro da narrativa est\u00e3o <strong>Tom\u00e1s Mena<\/strong> e <strong>Clemente Fabres<\/strong>. Tom\u00e1s est\u00e1 prestes a ingressar na universidade e enxerga esse novo ciclo como uma poss\u00edvel sa\u00edda da rigidez familiar, do bairro e do ambiente pol\u00edtico opressor. Clemente, por sua vez, vive os \u00faltimos meses na faculdade de Jornalismo e sonha em voltar para a Inglaterra, lugar onde acredita realmente pertencer.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois v\u00eam de mundos diferentes, mas se aproximam por interesses comuns: m\u00fasica, cinema, cultura alternativa, cria\u00e7\u00e3o e desejo de escapar das limita\u00e7\u00f5es impostas pelo tempo em que vivem. O encontro entre eles acontece em um Chile marcado pelo medo, mas tamb\u00e9m por gestos de resist\u00eancia, experimenta\u00e7\u00e3o e descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse territ\u00f3rio inst\u00e1vel, o amor surge como possibilidade e risco. Fuguet transforma a rela\u00e7\u00e3o entre os personagens em uma chave para compreender n\u00e3o apenas uma juventude espec\u00edfica, mas uma gera\u00e7\u00e3o inteira que buscava respirar em meio \u00e0 repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cultura pop, pol\u00edtica e identidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Reconhecido como um dos nomes centrais do <strong>p\u00f3s-Boom latino-americano<\/strong>, Alberto Fuguet construiu uma obra atravessada por refer\u00eancias ao cinema, \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 televis\u00e3o, \u00e0 literatura e \u00e0 cultura urbana. Em <em>Certos garotos<\/em>, esse repert\u00f3rio aparece de forma org\u00e2nica, compondo uma narrativa que olha para o passado sem perder o ritmo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>O romance n\u00e3o trata a pol\u00edtica apenas como pano de fundo. A ditadura chilena aparece nos gestos cotidianos, nas escolhas, nos sil\u00eancios, nos medos e nas formas de sociabilidade dos personagens. Ao mesmo tempo, a obra evita o tom documental r\u00edgido e aposta em uma experi\u00eancia sens\u00edvel, afetiva e fragmentada, como a mem\u00f3ria costuma ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Caleidosc\u00f3pico e delicado, <em>Certos garotos<\/em> explora temas como sexualidade, amizade, solid\u00e3o, juventude e constru\u00e7\u00e3o da identidade. \u00c9 um livro sobre crescer em tempos dif\u00edceis, mas tamb\u00e9m sobre encontrar linguagem, corpo e desejo quando tudo ao redor parece impor limites.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um retrato de gera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais do que um romance pol\u00edtico, <em>Certos garotos<\/em> captura o clima de transi\u00e7\u00e3o entre ditadura e redemocratiza\u00e7\u00e3o no Chile. A obra mostra como grandes transforma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas atravessam a vida privada e deixam marcas nos afetos, nas escolhas e nas formas de imaginar o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao acompanhar Tom\u00e1s e Clemente, Fuguet revela uma juventude que encontra na cultura pop e na contracultura n\u00e3o apenas entretenimento, mas uma forma de existir. Entre fitas, filmes, fanzines, ruas vigiadas e sentimentos ainda sem nome, o romance constr\u00f3i um retrato vivo de uma gera\u00e7\u00e3o que buscava liberdade antes mesmo de saber como alcan\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ficha t\u00e9cnica<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>T\u00edtulo:<\/strong> <em>Certos garotos<\/em><br><strong>Autor:<\/strong> Alberto Fuguet<br><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Sandra Martha Dolinsky<br><strong>P\u00e1ginas:<\/strong> 256<br><strong>Pre\u00e7o:<\/strong> R$ 59,90<br><strong>ISBN:<\/strong> 978-85-422-4118-1<br><strong>Editora:<\/strong> Planeta<br><strong>Selo:<\/strong> Tusquets<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobre o autor<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Alberto Fuguet<\/strong> nasceu em Santiago do Chile, em 1963. Escritor e cineasta, \u00e9 formado em Jornalismo pela Universidade do Chile e atuou como cronista, colunista e cr\u00edtico de cinema, m\u00fasica e cultura pop em ve\u00edculos nacionais e internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 autor de romances, contos e obras de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, entre eles <em>Mala onda<\/em>, <em>Por favor, rebobinar<\/em>, <em>Tinta roja<\/em>, <em>Las pel\u00edculas de mi vida<\/em>, <em>Missing (una investigaci\u00f3n)<\/em>, <em>No ficci\u00f3n<\/em>, <em>Sudor<\/em> e <em>Rebalsar la piscina mental<\/em>. Tamb\u00e9m dirigiu longas-metragens, document\u00e1rios e videoclipes. Recebeu as bolsas Fulbright e Guggenheim e integrou o programa Iowa Writers\u2019 Workshop. Atualmente, \u00e9 professor na Escola de Literatura Criativa da Universidade Diego Portales, no Chile.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobre o selo Tusquets<\/h2>\n\n\n\n<p>Criado em 1969, na Espanha, e presente no Brasil desde 2016, <strong>Tusquets<\/strong> \u00e9 o selo de fic\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da Editora Planeta. Seu cat\u00e1logo re\u00fane autores como Alejandro Zambra, J.P. Cuenca, Camila Sosa Villada, Xico S\u00e1, Marina Colasanti, Jos\u00e9 Eduardo Agualusa, Shusaku Endo, Javier Cercas, Marguerite Duras, Ferr\u00e9z, Bob Dylan, Leila Slimani e \u00c9douard Louis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambientado no Chile dos anos 1980, romance publicado pelo selo Tusquets mistura pol\u00edtica, descoberta afetiva e cultura pop em uma hist\u00f3ria sens\u00edvel sobre identidade, desejo e liberdade. 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