{"id":18007,"date":"2026-04-23T15:57:25","date_gmt":"2026-04-23T18:57:25","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=18007"},"modified":"2026-04-23T15:57:26","modified_gmt":"2026-04-23T18:57:26","slug":"quando-a-palavra-vira-passo-gama-ocupa-as-ruas-com-literatura-e-resistencia-contra-o-feminicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=18007","title":{"rendered":"Quando a palavra vira passo: Gama ocupa as ruas com literatura e resist\u00eancia contra o feminic\u00eddio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Nem toda manifesta\u00e7\u00e3o come\u00e7a com grito. Algumas come\u00e7am com palavra. E quando palavra encontra corpo, vira movimento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim no Gama, onde cerca de 200 pessoas transformaram a cidade em p\u00e1gina aberta durante a primeira Caminhada Liter\u00e1ria de Combate ao Feminic\u00eddio, promovida pela Academia Gamense de Letras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/caminhada-faixa-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18009\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/caminhada-faixa-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/caminhada-faixa-225x300.jpeg 225w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/caminhada-faixa-750x1000.jpeg 750w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/caminhada-faixa.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O trajeto, da sede da entidade at\u00e9 a Administra\u00e7\u00e3o Regional, foi menos um percurso f\u00edsico e mais um gesto coletivo de escrita no espa\u00e7o urbano. Faixas, cartazes, vozes e sil\u00eancios compartilhados compuseram uma narrativa que n\u00e3o estava apenas sendo dita \u2014 estava sendo vivida.<\/p>\n\n\n\n<p>E havia ritmo.<\/p>\n\n\n\n<p>A bateria da Mocidade do Gama pulsava como cora\u00e7\u00e3o da caminhada. Cada batida parecia lembrar: cultura tamb\u00e9m \u00e9 linguagem de enfrentamento. Cultura tamb\u00e9m protege. Cultura tamb\u00e9m educa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a presidente da AGL, Zenilda Vilarins, a proposta ultrapassa o simbolismo e se inscreve como pr\u00e1tica social.<br>\u201cA Caminhada Liter\u00e1ria Passos e Versos por Elas reafirmou nosso papel na sociedade, o compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o social e a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a nossa realidade. Mais do que um evento, foi um momento de reflex\u00e3o, de exerc\u00edcio da empatia e de reconhecimento da literatura como uma poderosa ferramenta de mudan\u00e7a capaz de transformar pensamentos e atitudes. Seguimos caminhando, escrevendo e refletindo, sempre juntos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A caminhada tamb\u00e9m exp\u00f4s uma dimens\u00e3o fundamental: o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher precisa ser coletivo \u2014 e isso inclui os homens. O idealizador da a\u00e7\u00e3o, Manoel Pretto, trouxe essa provoca\u00e7\u00e3o para o centro do debate.<br>\u201cOs homens precisam assumir essa luta como parte da sua pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de apoiar, mas de reconhecer o papel que historicamente tiveram nessa estrutura e agir para mudar essa realidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18010\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-300x169.jpeg 300w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-768x432.jpeg 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-2048x1152.jpeg 2048w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-750x422.jpeg 750w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/criancas-caminhada-1140x641.jpeg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre os rostos atentos, estavam crian\u00e7as da Escola Classe 21 do Gama, com cartazes feitos \u00e0 m\u00e3o \u2014 pequenos manifestos coloridos que carregavam uma mensagem grande demais para ser ignorada.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora aposentada Zelma da Luz, que acompanhou a atividade, resumiu o impacto com precis\u00e3o afetiva:<br>\u201cEssas crian\u00e7as nunca v\u00e3o esquecer esse momento. Elas est\u00e3o aprendendo valores que v\u00e3o levar para a vida inteira.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Fabrina-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18008\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Fabrina-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Fabrina-225x300.jpeg 225w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Fabrina-750x1000.jpeg 750w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Fabrina.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Presidente da OAB Gama, Fabrina Gandra. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a institucional tamb\u00e9m marcou o ato. A presidente da OAB Gama, Fabrina Gandra, refor\u00e7ou que o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia exige atua\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e articulada.<br>\u201cN\u00f3s estamos aqui para garantir que nenhuma mulher caminhe s\u00f3. As mulheres merecem caminhar livres e sem medo\u201d, afirmou, ao destacar projetos de assist\u00eancia \u00e0s v\u00edtimas e a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o durante jogos de futebol, onde os \u00edndices de viol\u00eancia tendem a crescer.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Edilamar Melo, a Dila, presidente da Mocidade do Gama, trouxe a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da cultura.<br>\u201cO papel social da escola vem em primeiro lugar. A gente precisa estar junto da comunidade, levando arte, alegria e consci\u00eancia. Estar presente nesses movimentos tamb\u00e9m \u00e9 fazer cultura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a paralisa\u00e7\u00e3o de professores, que limitou a participa\u00e7\u00e3o de escolas, a caminhada n\u00e3o perdeu for\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio: ganhou densidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque ali n\u00e3o se tratava apenas de n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratava-se de mem\u00f3ria sendo constru\u00edda em tempo real. De corpos que caminham para que outras mulheres possam caminhar sem medo. De literatura que abandona a estante e decide ocupar a rua.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, talvez essa seja a imagem que fica:<br>um cortejo onde versos n\u00e3o s\u00e3o lidos \u2014 s\u00e3o vividos.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando isso acontece, a cidade inteira escuta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem toda manifesta\u00e7\u00e3o come\u00e7a com grito. Algumas come\u00e7am com palavra. E quando palavra encontra corpo, vira movimento. Foi assim no Gama, onde cerca de 200 pessoas transformaram a cidade em p\u00e1gina aberta durante a primeira Caminhada Liter\u00e1ria de Combate ao Feminic\u00eddio, promovida pela Academia Gamense de Letras. 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