{"id":17734,"date":"2026-04-14T17:16:57","date_gmt":"2026-04-14T20:16:57","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=17734"},"modified":"2026-04-14T17:16:58","modified_gmt":"2026-04-14T20:16:58","slug":"brasil-leva-adriana-varejao-e-rosana-paulino-a-bienal-de-veneza-2026-com-mostra-sobre-memoria-colonizacao-e-imaginacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=17734","title":{"rendered":"Brasil leva Adriana Varej\u00e3o e Rosana Paulino \u00e0 Bienal de Veneza 2026 com mostra sobre mem\u00f3ria, coloniza\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil chega \u00e0 <strong>61\u00aa Bienal de Veneza<\/strong> com uma representa\u00e7\u00e3o de peso: <strong>Adriana Varej\u00e3o<\/strong> e <strong>Rosana Paulino<\/strong> ocupam o pavilh\u00e3o brasileiro com a mostra <strong>\u201cComigo Ningu\u00e9m Pode\u201d<\/strong>, uma exposi\u00e7\u00e3o que atravessa mem\u00f3ria, espiritualidade, viol\u00eancia colonial e imagina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para refletir sobre a forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. A abertura acontece em <strong>9 de maio<\/strong>, em Veneza, na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Reunindo obras in\u00e9ditas e trabalhos j\u00e1 consagrados das duas artistas, a exposi\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma leitura sens\u00edvel e potente sobre os traumas deixados pela coloniza\u00e7\u00e3o e as formas encontradas pela cultura brasileira para reelaborar essa dor. F\u00e9, natureza, ancestralidade e elementos fant\u00e1sticos aparecem como caminhos de resist\u00eancia, reconstru\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo da mostra, <strong>\u201cComigo Ningu\u00e9m Pode\u201d<\/strong>, evoca a planta conhecida popularmente por afastar energias negativas. A escolha funciona como met\u00e1fora para uma exposi\u00e7\u00e3o que transforma fragilidade em prote\u00e7\u00e3o e trauma em for\u00e7a simb\u00f3lica. A curadoria \u00e9 assinada por <strong>Diane Lima<\/strong>, que articula o encontro entre duas artistas fundamentais da arte contempor\u00e2nea brasileira a partir de uma ideia de metamorfose hist\u00f3rica e afetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho de <strong>Adriana Varej\u00e3o<\/strong>, os azulejos \u2014 marca recorrente de sua produ\u00e7\u00e3o \u2014 surgem como superf\u00edcies tensionadas, rachadas ou abertas, revelando o que estava encoberto. Em vez de apenas remeter \u00e0 heran\u00e7a colonial portuguesa, esses elementos ganham novas camadas de leitura ao expor carne, mat\u00e9ria org\u00e2nica, ouro, terra, madeira e vegeta\u00e7\u00e3o. O gesto simb\u00f3lico \u00e9 claro: escavar a hist\u00f3ria para revelar as viol\u00eancias que estruturaram o pa\u00eds e, ao mesmo tempo, imaginar novas possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 <strong>Rosana Paulino<\/strong> leva \u00e0 Bienal obras que articulam imagem, corpo e mem\u00f3ria a partir da experi\u00eancia de mulheres negras e das marcas deixadas pela escravid\u00e3o e pelo racismo estrutural. Fotografias de \u00e9poca, organizadas como tramas visuais, dialogam com pinturas em que figuras femininas se fundem a insetos, plantas e organismos vivos, criando imagens de forte densidade simb\u00f3lica. A artista trabalha a ideia da mulher negra como corpo que sustenta, costura, transforma e preserva a continuidade da vida e da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m marca a <strong>primeira ocupa\u00e7\u00e3o do pavilh\u00e3o brasileiro ap\u00f3s a reforma do edif\u00edcio modernista<\/strong>, inaugurado em 1964. Com a reabertura de \u00e1reas envidra\u00e7adas previstas no projeto original, o espa\u00e7o amplia sua rela\u00e7\u00e3o com o jardim externo, onde ser\u00e3o instaladas esculturas in\u00e9ditas das duas artistas \u2014 uma em bronze, de Paulino, e outra em cer\u00e2mica, de Varej\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao reunir duas trajet\u00f3rias que revisitam criticamente a hist\u00f3ria brasileira por caminhos visuais distintos, o Brasil aposta em uma participa\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o institucional: leva \u00e0 Bienal de Veneza uma reflex\u00e3o profunda sobre identidade, viol\u00eancia, espiritualidade e sobreviv\u00eancia. Em vez de oferecer respostas f\u00e1ceis, <strong>\u201cComigo Ningu\u00e9m Pode\u201d<\/strong> transforma o pavilh\u00e3o em um espa\u00e7o de enfrentamento e inven\u00e7\u00e3o, onde o passado colonial \u00e9 reaberto n\u00e3o apenas como ferida, mas como mat\u00e9ria de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil chega \u00e0 61\u00aa Bienal de Veneza com uma representa\u00e7\u00e3o de peso: Adriana Varej\u00e3o e Rosana Paulino ocupam o pavilh\u00e3o brasileiro com a mostra \u201cComigo Ningu\u00e9m Pode\u201d, uma exposi\u00e7\u00e3o que atravessa mem\u00f3ria, espiritualidade, viol\u00eancia colonial e imagina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para refletir sobre a forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. 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