{"id":16947,"date":"2026-03-11T12:19:41","date_gmt":"2026-03-11T15:19:41","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=16947"},"modified":"2026-03-11T12:19:42","modified_gmt":"2026-03-11T15:19:42","slug":"edouard-louis-leva-ao-palco-confissao-sobre-o-pai-e-as-feridas-da-desigualdade-na-mitsp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=16947","title":{"rendered":"\u00c9douard Louis leva ao palco confiss\u00e3o sobre o pai e as feridas da desigualdade na MITsp"},"content":{"rendered":"\n<p>O escritor franc\u00eas \u00c9douard Louis transforma mem\u00f3ria, pol\u00edtica e trauma em teatro no mon\u00f3logo <strong>\u201cQuem Matou Meu Pai\u201d<\/strong>, apresentado na Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo. A montagem chega ao Sesc Pinheiros como um dos destaques da programa\u00e7\u00e3o e coloca o pr\u00f3prio autor em cena para revisitar a rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil com o pai \u2014 marcada por viol\u00eancia, pobreza e sil\u00eancios.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigido pelo encenador alem\u00e3o Thomas Ostermeier, o espet\u00e1culo adapta o livro hom\u00f4nimo publicado por Louis em 2018, um texto curto, contundente e profundamente pol\u00edtico que examina como decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas podem atravessar \u2014 e destruir \u2014 a vida de indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um acerto de contas \u00edntimo e pol\u00edtico<\/h3>\n\n\n\n<p>No palco, Louis narra a hist\u00f3ria de um pai autorit\u00e1rio e homof\u00f3bico que, apesar da dureza, tamb\u00e9m aparece como v\u00edtima de um sistema desigual. Longe de retrat\u00e1-lo como um vil\u00e3o absoluto, o espet\u00e1culo procura compreender como a pobreza e as press\u00f5es sociais moldaram aquele homem.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa funciona quase como um ritual de exorcismo: ao revisitar epis\u00f3dios da inf\u00e2ncia, o autor tenta lidar com as marcas deixadas por uma juventude marcada pela viol\u00eancia e pela exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pe\u00e7a tamb\u00e9m amplia o debate para al\u00e9m da esfera familiar. Louis aponta como pol\u00edticas p\u00fablicas e cortes na assist\u00eancia social contribu\u00edram para a deteriora\u00e7\u00e3o da vida de seu pai \u2014 que sofreu um grave acidente de trabalho e acabou for\u00e7ado a continuar trabalhando mesmo com dores cr\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Da literatura ao palco<\/h3>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o teatral nasceu depois que Ostermeier encenou <strong>\u201cHist\u00f3ria da Viol\u00eancia\u201d<\/strong>, outro livro do escritor. Impressionado com o resultado, Louis deu liberdade ao diretor para trabalhar novamente com sua obra.<\/p>\n\n\n\n<p>O convite seguinte, no entanto, surpreendeu: Ostermeier sugeriu que o pr\u00f3prio autor interpretasse o texto. Ap\u00f3s hesitar, Louis aceitou o desafio e passou a experimentar o palco como extens\u00e3o de sua escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor, a escolha foi natural. Ele procurava um int\u00e9rprete que carregasse a experi\u00eancia social retratada na obra \u2014 algu\u00e9m capaz de transmitir autenticidade \u00e0 narrativa sobre classe, sexualidade e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reinventar a pr\u00f3pria identidade<\/h3>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a do escritor em cena tamb\u00e9m dialoga com sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Nascido como <strong>Eddy Bellegueule<\/strong>, ele cresceu em uma pequena cidade do norte da Fran\u00e7a, em um ambiente marcado pela pobreza e pelo preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, reinventou-se \u2014 mudou o nome, o modo de falar e at\u00e9 a forma de se apresentar publicamente. A transforma\u00e7\u00e3o se tornou um dos temas centrais de sua obra liter\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o autor, a marginaliza\u00e7\u00e3o que sofreu acabou lhe dando uma perspectiva cr\u00edtica sobre a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA viol\u00eancia me empurrou a questionar a realidade ao meu redor. Por estar \u00e0 margem, eu podia observar o mundo de fora.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa mesma experi\u00eancia atravessa o espet\u00e1culo, que mistura mem\u00f3ria pessoal e reflex\u00e3o pol\u00edtica para discutir desigualdade, identidade e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Quem Matou Meu Pai<\/strong><br>\ud83d\udccd Sesc Pinheiros<br>\ud83d\udcc5 11, 12 e 13 de mar\u00e7o<br>\u23f0 20h<br>\ud83c\udfad Atua\u00e7\u00e3o: \u00c9douard Louis<br>\ud83c\udfac Dire\u00e7\u00e3o: Thomas Ostermeier<br>\ud83c\udf9f Ingressos esgotados<br>\ud83d\udd1e Classifica\u00e7\u00e3o: 12 anos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor franc\u00eas \u00c9douard Louis transforma mem\u00f3ria, pol\u00edtica e trauma em teatro no mon\u00f3logo \u201cQuem Matou Meu Pai\u201d, apresentado na Mostra Internacional de Teatro de S\u00e3o Paulo. 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