{"id":16941,"date":"2026-03-11T11:56:19","date_gmt":"2026-03-11T14:56:19","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=16941"},"modified":"2026-03-11T11:56:21","modified_gmt":"2026-03-11T14:56:21","slug":"masp-apresenta-exposicao-de-sandra-gamarra-heshiki-que-revisita-narrativas-coloniais-nas-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=16941","title":{"rendered":"MASP apresenta exposi\u00e7\u00e3o de Sandra Gamarra Heshiki que revisita narrativas coloniais nas artes"},"content":{"rendered":"\n<p>O <strong>Museu de Arte de S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand<\/strong> recebe a exposi\u00e7\u00e3o <strong>R\u00e9plica<\/strong>, primeira grande panor\u00e2mica dedicada \u00e0 artista peruana <strong>Sandra Gamarra Heshiki<\/strong> na institui\u00e7\u00e3o. A mostra prop\u00f5e uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre as narrativas que moldaram a hist\u00f3ria da arte nas Am\u00e9ricas, questionando representa\u00e7\u00f5es coloniais e a centraliza\u00e7\u00e3o cultural em pa\u00edses hegem\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de pinturas que reproduzem e alteram imagens hist\u00f3ricas \u2014 muitas delas relacionadas \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 guerra \u2014 a artista investiga como a arte pode revelar as camadas ideol\u00f3gicas que moldaram a mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o fica em cartaz no MASP <strong>at\u00e9 7 de junho<\/strong>, reunindo obras que atravessam diferentes per\u00edodos hist\u00f3ricos e dialogam com debates contempor\u00e2neos sobre identidade, colonialismo e circula\u00e7\u00e3o de imagens.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O museu fict\u00edcio que virou obra de arte<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das ideias que marcaram a trajet\u00f3ria de Gamarra surgiu em 2002, quando ela criou o <strong>LiMac<\/strong>, um museu contempor\u00e2neo fict\u00edcio em Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto nasceu da provoca\u00e7\u00e3o: diante da aus\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 arte contempor\u00e2nea na capital peruana, a artista decidiu <strong>inventar um museu que existia apenas em registros, imagens e exposi\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem sede f\u00edsica, o LiMac ganhou forma em galerias e bienais ao redor do mundo, muitas vezes reproduzindo ou reinterpretando obras de artistas consagrados \u2014 uma estrat\u00e9gia que expunha a concentra\u00e7\u00e3o de legitimidade cultural em centros art\u00edsticos globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mostra do MASP, essa l\u00f3gica aparece em uma sala onde pinturas reproduzem as pr\u00f3prias obras expostas, enquanto panfletos transformam parte delas em lembran\u00e7as que podem ser levadas pelos visitantes.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reproduzir para questionar<\/h2>\n\n\n\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia central no trabalho de Gamarra. Ao recriar pinturas hist\u00f3ricas e registros coloniais, a artista desloca essas imagens de seu contexto original e abre espa\u00e7o para novas interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas obras revisitam quadros ligados ao <strong>imperialismo nas Am\u00e9ricas<\/strong>, al\u00e9m de imagens de conflitos e de popula\u00e7\u00f5es encarceradas. Ao reencenar essas representa\u00e7\u00f5es em pintura, Gamarra evidencia as hierarquias e narrativas que essas imagens ajudaram a consolidar.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a artista, at\u00e9 tecnologias atuais, como sistemas de <strong>intelig\u00eancia artificial<\/strong>, podem refor\u00e7ar essas narrativas dominantes ao reproduzir padr\u00f5es presentes na internet.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cImagens generativas camuflam discursos interessados em resgatar um mundo de polariza\u00e7\u00e3o extrema\u201d, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Arte pr\u00e9-colonial e objetos deslocados<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos n\u00facleos da exposi\u00e7\u00e3o aborda artefatos ind\u00edgenas e pr\u00e9-coloniais. Em vitrines, aparecem pinturas que representam vasos e cer\u00e2micas de povos dos Andes e da Amaz\u00f4nia \u2014 objetos que hoje fazem parte de cole\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177315697769b03a718b369_1773156977_4x3_lg.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16942\" srcset=\"https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177315697769b03a718b369_1773156977_4x3_lg.jpg 1024w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177315697769b03a718b369_1773156977_4x3_lg-300x225.jpg 300w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177315697769b03a718b369_1773156977_4x3_lg-768x576.jpg 768w, https:\/\/cidadecult.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/177315697769b03a718b369_1773156977_4x3_lg-750x563.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8216;Recurso VII&#8217; (2019), obra de Sandra Gamarra Heshiki, em cartaz na exposi\u00e7\u00e3o &#8216;R\u00e9plica&#8217;, no Masp &#8211;\u00a0Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A artista chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que muitas dessas pe\u00e7as, originalmente ligadas a pr\u00e1ticas rituais e comunit\u00e1rias, passaram a ser exibidas em museus cient\u00edficos, afastadas do campo da arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas obras, Gamarra tamb\u00e9m insere no verso termos racistas historicamente associados a esses objetos, evidenciando a forma como discursos coloniais moldaram sua interpreta\u00e7\u00e3o ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Revis\u00f5es da hist\u00f3ria latino-americana<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro eixo da exposi\u00e7\u00e3o revisita pinturas hist\u00f3ricas da Am\u00e9rica Latina. Obras como <strong>Habitante de Las Cordilleras del Peru<\/strong>, de <strong>Francisco Laso<\/strong>, e <strong>India del Collao<\/strong>, de <strong>Jos\u00e9 Sabogal<\/strong>, aparecem reinterpretadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma das interven\u00e7\u00f5es, a figura ind\u00edgena retratada por Laso surge de cabe\u00e7a para baixo, enquanto um objeto cer\u00e2mico ganha protagonismo na composi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na releitura da obra de Sabogal, o rosto da personagem \u00e9 coberto por uma folha de ouro falso, questionando as representa\u00e7\u00f5es constru\u00eddas ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aborda conflitos hist\u00f3ricos, como a guerra entre Peru e Chile, por meio de pinturas sobrepostas por palavras e pigmentos vermelhos que evocam tanto viol\u00eancia quanto tradi\u00e7\u00f5es visuais ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Modernismo e exclus\u00e3o cultural<\/h2>\n\n\n\n<p>Na parte final da exposi\u00e7\u00e3o, Gamarra dialoga com o modernismo e com artistas que marcaram a hist\u00f3ria da arte contempor\u00e2nea, como <strong>Mark Rothko<\/strong> e <strong>H\u00e9lio Oiticica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao parodiar ou reinterpretar elementos dessas linguagens, a artista aponta para a exclus\u00e3o hist\u00f3rica de povos ind\u00edgenas e latino-americanos da geopol\u00edtica cultural global.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse espa\u00e7o, imagens de guerra e retratos ind\u00edgenas aparecem ocultos sob superf\u00edcies abstratas, sugerindo que muitas hist\u00f3rias permanecem invis\u00edveis mesmo dentro dos museus.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o questiona como aprendemos a olhar<\/h2>\n\n\n\n<p>Para os curadores da mostra, o trabalho de Gamarra questiona tamb\u00e9m o pr\u00f3prio papel do museu como espa\u00e7o que organiza e ensina a forma como o p\u00fablico observa as obras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas pinturas, m\u00e3os apontam para quadros abstratos, como se repetissem um gesto pedag\u00f3gico comum: indicar o que deve ou n\u00e3o ser considerado arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa provoca\u00e7\u00e3o acompanha toda a exposi\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a uma pergunta central da artista: <strong>quem define as narrativas que moldam a hist\u00f3ria da arte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00e3o:<\/strong> R\u00e9plica<br><strong>Artista:<\/strong> Sandra Gamarra Heshiki<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Local: Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (MASP)<br>\ud83d\udccd Endere\u00e7o: Avenida Paulista, 1578 \u2013 S\u00e3o Paulo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcc5 At\u00e9: 7 de junho<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udd52 Hor\u00e1rios:<br>Ter\u00e7a: 10h \u00e0s 20h<br>Quarta e quinta: 10h \u00e0s 18h<br>Sexta: 10h \u00e0s 21h<br>S\u00e1bado e domingo: 10h \u00e0s 18h<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf9f Ingressos: R$ 85<br>\ud83c\udf9f Gratuito \u00e0s ter\u00e7as-feiras<\/p>\n\n\n\n<p>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa: 12 anos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu de Arte de S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand recebe a exposi\u00e7\u00e3o R\u00e9plica, primeira grande panor\u00e2mica dedicada \u00e0 artista peruana Sandra Gamarra Heshiki na institui\u00e7\u00e3o. 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