{"id":14703,"date":"2025-10-13T08:13:53","date_gmt":"2025-10-13T11:13:53","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=14703"},"modified":"2025-10-13T08:13:56","modified_gmt":"2025-10-13T11:13:56","slug":"laudelina-de-campos-a-mulher-que-transformou-o-trabalho-domestico-em-luta-por-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=14703","title":{"rendered":"Laudelina de Campos: a mulher que transformou o trabalho dom\u00e9stico em luta por dignidade"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Reprodu\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em um Brasil ainda marcado pelas heran\u00e7as da escravid\u00e3o, quando o trabalho dom\u00e9stico era considerado uma \u201cobriga\u00e7\u00e3o natural\u201d das mulheres negras, uma mulher ousou romper o sil\u00eancio. <strong>Laudelina de Campos Melo<\/strong>, nascida em 1904, em Po\u00e7os de Caldas (MG), fez da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria uma forma de resist\u00eancia e mudan\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1936, aos 32 anos, fundou em Campinas (SP) a <strong>Associa\u00e7\u00e3o de Empregadas Dom\u00e9sticas<\/strong>, a primeira organiza\u00e7\u00e3o da categoria no pa\u00eds. O gesto pioneiro transformou a luta de trabalhadoras invisibilizadas em um movimento coletivo que, d\u00e9cadas depois, resultaria na <strong>PEC das Dom\u00e9sticas<\/strong>, aprovada em 2013 \u2014 marco hist\u00f3rico que garantiu direitos fundamentais como FGTS, jornada de trabalho regulada e hora extra.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha e neta de pessoas escravizadas, Laudelina come\u00e7ou a trabalhar aos sete anos. Mesmo ap\u00f3s se formar professora, viu o racismo impedir sua atua\u00e7\u00e3o na sala de aula, o que a levou de volta ao trabalho dom\u00e9stico. Dessa experi\u00eancia nasceu sua consci\u00eancia pol\u00edtica: era preciso reivindicar n\u00e3o apenas sal\u00e1rios e direitos, mas tamb\u00e9m <strong>respeito e reconhecimento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o criada por Laudelina foi muito al\u00e9m da luta trabalhista. Tornou-se uma <strong>rede de apoio e solidariedade<\/strong>: um clube de lazer, espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o e, mais tarde, uma creche para os filhos das trabalhadoras. Ela compreendia que emancipa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passava por acesso \u00e0 cultura, educa\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma \u00e9poca em que as empregadas dom\u00e9sticas n\u00e3o tinham sequer prote\u00e7\u00e3o na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), sua atua\u00e7\u00e3o foi <strong>revolucion\u00e1ria e antirracista<\/strong>. Laudelina afirmava que o trabalho dom\u00e9stico \u00e9 trabalho \u2014 e quem o realiza deve ser tratado com dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua trajet\u00f3ria inspirou gera\u00e7\u00f5es e abriu caminho para a conquista de direitos. A <strong>Emenda Constitucional 72<\/strong>, de 2013, conhecida como PEC das Dom\u00e9sticas, foi a materializa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de sua luta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica Em um Brasil ainda marcado pelas heran\u00e7as da escravid\u00e3o, quando o trabalho dom\u00e9stico era considerado uma \u201cobriga\u00e7\u00e3o natural\u201d das mulheres negras, uma mulher ousou romper o sil\u00eancio. Laudelina de Campos Melo, nascida em 1904, em Po\u00e7os de Caldas (MG), fez da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria uma forma de resist\u00eancia e mudan\u00e7a social. 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