{"id":13179,"date":"2025-07-02T10:56:18","date_gmt":"2025-07-02T13:56:18","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=13179"},"modified":"2025-07-02T11:02:36","modified_gmt":"2025-07-02T14:02:36","slug":"arte-negra-em-foco-artistas-transformam-dor-colonial-em-potencia-criativa-na-temporada-franca-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=13179","title":{"rendered":"Arte negra em foco: artistas transformam dor colonial em pot\u00eancia criativa na Temporada Fran\u00e7a-Brasil!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Atomic Joy<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cImagina se a gente tivesse decidido n\u00e3o dan\u00e7ar.\u201d<\/em><strong> A frase, dita pela core\u00f3grafa e artista visual Ana Pi, ecoa como um manifesto.<\/strong> E \u00e9 tamb\u00e9m o ponto de partida do espet\u00e1culo<em><strong> &#8220;Atomic joy&#8221;,<\/strong><\/em> parte da programa\u00e7\u00e3o da <strong>Temporada Fran\u00e7a-Brasil 2025. Criada por Ana, a obra investiga como as dan\u00e7as de rua, nascidas em territ\u00f3rios negros e perif\u00e9ricos, se tornaram espa\u00e7os de resist\u00eancia e reinven\u00e7\u00e3o diante das marcas deixadas pela coloniza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nascida em Belo Horizonte e radicada na Fran\u00e7a h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, Ana Pi leva aos palcos uma coreografia que une vibra\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica, for\u00e7a e fragilidade. Ao lado de oito dan\u00e7arinos, ela prop\u00f5e um mergulho naquilo que ela chama de \u201calegria at\u00f4mica\u201d: uma explos\u00e3o que \u00e9 tamb\u00e9m detalhe, intensidade que se revela no sutil. <\/strong>A dan\u00e7a, nesse contexto, deixa de ser apenas performance e se torna <strong>testemunho da hist\u00f3ria, da dor, da mem\u00f3ria e da sobreviv\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Oceano negro: resid\u00eancia art\u00edstica como reencontro com a ancestralidade<\/strong>: <\/h3>\n\n\n\n<p>Outro destaque da temporada \u00e9 o <strong>projeto &#8220;Oceano negro&#8221;<\/strong>, que promover\u00e1 uma <strong>resid\u00eancia art\u00edstica em Salvador, reunindo mulheres negras de diferentes pa\u00edses. Entre elas, a escultora e artista multidisciplinar Beya Gille Gacha, nascida em Paris, filha de m\u00e3e camaronesa e pai franc\u00eas.<\/strong> <strong>Ao conhecer a Bahia em uma resid\u00eancia anterior, Gacha reencontrou elementos de suas ra\u00edzes e, em um sonho, sentiu o chamado para retornar \u00e0 terra da m\u00e3e.<\/strong> Mais tarde, ao visitar o porto de Bimbia, nos Camar\u00f5es de onde partiram milhares de africanos escravizados, <strong>compreendeu de forma visceral a conex\u00e3o entre Brasil e \u00c1frica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segundo a artista, o projeto &#8220;Oceano negro&#8221; \u00e9 uma tentativa de romper a amn\u00e9sia imposta pela coloniza\u00e7\u00e3o, que desconectou os povos africanos de suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias<\/strong>. <strong>A proposta da resid\u00eancia \u00e9 criar um espa\u00e7o de cuidado, onde a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica se funde \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Descolonizar para criar: arte como gesto pol\u00edtico<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Fabiana Ex-Souza<\/strong>,<strong> artista brasileira radicada em Paris e tamb\u00e9m integrante da iniciativa, refor\u00e7a a import\u00e2ncia da arte como ferramenta de descoloniza\u00e7\u00e3o.<\/strong> O<strong> \u201cEx\u201d <\/strong>que incorporou ao pr\u00f3prio nome <strong>simboliza a ruptura com o legado colonial e a abertura para um novo caminho de autonomia<\/strong>. <em>\u201cA resid\u00eancia ser\u00e1 um ponto de encontro entre pr\u00e1ticas, mem\u00f3rias e afetos. O Brasil conserva tra\u00e7os da \u00c1frica que muitas vezes se perderam no continente por conta das sucessivas coloniza\u00e7\u00f5es\u201d,<\/em> afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Temporada Fran\u00e7a-Brasil 2025: cultura como elo entre mundos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>A &#8220;Temporada Fran\u00e7a-Brasil&#8221;, acordada pelos presidentes Lula e Emmanuel Macron, tem como pilares a diversidade, o di\u00e1logo com a \u00c1frica, a democracia e a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. A programa\u00e7\u00e3o francesa no Brasil vai ocupar, entre agosto e dezembro, 15 cidades brasileiras com espet\u00e1culos, exposi\u00e7\u00f5es, resid\u00eancias, performances e debates.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma troca cultural, essa temporada se revela um movimento de reconex\u00e3o: com a hist\u00f3ria, com a ancestralidade e com novas possibilidades de futuro. Uma travessia em que a arte negra \u00e9 protagonista, n\u00e3o como exce\u00e7\u00e3o, mas como <strong>pulsa\u00e7\u00e3o central da cultura <\/strong>que nos forma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Atomic Joy \u201cImagina se a gente tivesse decidido n\u00e3o dan\u00e7ar.\u201d A frase, dita pela core\u00f3grafa e artista visual Ana Pi, ecoa como um manifesto. E \u00e9 tamb\u00e9m o ponto de partida do espet\u00e1culo &#8220;Atomic joy&#8221;, parte da programa\u00e7\u00e3o da Temporada Fran\u00e7a-Brasil 2025. 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