{"id":12552,"date":"2025-05-13T12:34:59","date_gmt":"2025-05-13T15:34:59","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=12552"},"modified":"2025-05-13T12:35:03","modified_gmt":"2025-05-13T15:35:03","slug":"a-lingua-que-une-e-silencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=12552","title":{"rendered":"A l\u00edngua que une e silencia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Tomaz Silva <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A l\u00edngua portuguesa \u00e9 falada por mais de 280 milh\u00f5es de pessoas no mundo<\/strong>. <strong>\u00c9 o idioma oficial de nove pa\u00edses e o quinto mais usado na internet. Mas, para muita gente, essa mesma l\u00edngua que aproxima tamb\u00e9m pode afastar.<\/strong> Pode ser muro, em vez de ponte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Serge Makanzu Kiala<\/strong> sabe disso. Refugiado da <strong>Rep\u00fablica do Congo<\/strong>, ele chegou ao Brasil em 2016 sem dominar o portugu\u00eas. Aprendeu sozinho, na pr\u00e1tica, trabalhando como educador no <strong>Museu do Amanh\u00e3, <\/strong>convivendo com brasileiros, escutando as ruas. Hoje, fala fluentemente. Ainda assim, muitas vezes precisa <strong>reafirmar sua origem, sua legitimidade, seu lugar de fala<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><strong>\u201c<\/strong>Quando digo que sou do Congo, me perguntam se \u00e9 na \u00c1frica do Sul.<strong> \u00c9 como se o continente inteiro fosse uma massa sem rosto.<\/strong> E quando falo, tem gente que s\u00f3 escuta o sotaque, n\u00e3o o que estou dizendo<strong>\u201d<\/strong><\/em>, relata.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Falar \u00e9 resistir! <\/h3>\n\n\n\n<p>A<strong> hist\u00f3ria de Serge<\/strong> revela o que<strong> as estat\u00edsticas n\u00e3o mostram<\/strong>: <strong>a desigualdade de acesso, representa\u00e7\u00e3o e escuta dentro da pr\u00f3pria comunidade lus\u00f3fona<\/strong>. Enquanto<strong> Portugal <\/strong>mant\u00e9m a <strong>posi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia,<\/strong> pa\u00edses africanos de l\u00edngua portuguesa continuam \u00e0 margem, e imigrantes que falam portugu\u00eas fora de seus territ\u00f3rios ainda s\u00e3o vistos como estrangeiros em sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cAprendi o portugu\u00eas ouvindo. Me dediquei. Mas h\u00e1 quem ache que por ter sotaque, minha fala vale menos\u201d<\/em>, diz Serge.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa realidade nos convida a refletir: <strong>quem pode ser considerado falante leg\u00edtimo da l\u00edngua?<\/strong>. Quem dita o que \u00e9 o <strong>\u201cportugu\u00eas correto\u201d?<\/strong>. E o que \u00e9 preciso para que a l\u00edngua seja verdadeiramente plural?. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma l\u00edngua em disputa: <\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Dia <em>5 de maio foi o &#8220;Dia Mundial da L\u00edngua Portuguesa&#8221;<\/em> e vale lembrar: a l\u00edngua \u00e9 viva, moldada por quem a usa. Mais do que um c\u00f3digo, \u00e9 um campo de disputa simb\u00f3lica, pol\u00edtica e afetiva.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O portugu\u00eas de Serge, com sua hist\u00f3ria, sua resist\u00eancia e sua voz, \u00e9 t\u00e3o leg\u00edtimo quanto qualquer outro. E \u00e9 exatamente essa multiplicidade que torna a l\u00edngua mais rica, mais diversa, mais humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Tomaz Silva A l\u00edngua portuguesa \u00e9 falada por mais de 280 milh\u00f5es de pessoas no mundo. \u00c9 o idioma oficial de nove pa\u00edses e o quinto mais usado na internet. 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