{"id":12223,"date":"2025-04-18T09:32:22","date_gmt":"2025-04-18T12:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=12223"},"modified":"2025-04-18T09:32:53","modified_gmt":"2025-04-18T12:32:53","slug":"sexta-feira-santa-entre-fe-silencio-e-expressao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadecult.com.br\/?p=12223","title":{"rendered":"Sexta-feira Santa: entre f\u00e9, sil\u00eancio e express\u00e3o cultural!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Marcello Casal Jr<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sil\u00eancio, reflex\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o<\/strong>. A<strong> &#8220;Sexta-feira Santa<\/strong>&#8220;, celebrada por milh\u00f5es de brasileiros,<strong> \u00e9 um dos momentos mais intensos da Semana Santa. A data retoma os \u00faltimos passos de Jesus Cristo at\u00e9 sua morte e carrega uma profunda carga simb\u00f3lica para a f\u00e9 crist\u00e3<\/strong>. Mas n\u00e3o para por a\u00ed: ao longo do tempo, essa sexta-feira ganhou novas leituras, gestos e significados que se espalham em rituais, encena\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo sincretismos religiosos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que \u00e9 sempre numa sexta?<\/h2>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o vem dos evangelhos e tamb\u00e9m da tradi\u00e7\u00e3o judaica. Segundo estudiosos, a morte de Jesus coincidiu com os preparativos da Festa de Pessach, a P\u00e1scoa judaica. Para n\u00e3o interferir nas celebra\u00e7\u00f5es, sua crucifica\u00e7\u00e3o foi antecipada e ocorreu numa sexta-feira. A partir da\u00ed, o dia passou a ser lembrado como o momento em que o \u201ccordeiro de Deus\u201d se entregou em sacrif\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conex\u00e3o com o juda\u00edsmo n\u00e3o \u00e9 por acaso. Na Pessach, um cordeiro era morto em sinal de prote\u00e7\u00e3o. No cristianismo, Jesus assume esse papel simb\u00f3lico: o sacrif\u00edcio que redime, o sangue que liberta, a morte que aponta para a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um dia sem eucaristia<\/h2>\n\n\n\n<p>Na liturgia cat\u00f3lica, a Sexta-Feira Santa tem uma marca forte: n\u00e3o h\u00e1 celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia. O sil\u00eancio toma conta das igrejas. O foco est\u00e1 na cruz. Em muitos lugares, as pessoas a tocam, beijam, se ajoelham diante dela. Um gesto que expressa dor, mas tamb\u00e9m devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, onde f\u00e9 e emo\u00e7\u00e3o andam juntas, essa rever\u00eancia ganha formas intensas. J\u00e1 em outras culturas, como na Europa, o gesto \u00e9 mais contido: uma leve inclina\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a, um olhar demorado. Diferentes formas de dizer a mesma coisa: \u201cEstamos em luto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Paix\u00e3o que ganha as ruas<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais do que dentro dos templos, a Sexta-Feira Santa tamb\u00e9m vive nas ruas. Em cidades como a hist\u00f3rica Goi\u00e1s, o cortejo do Fogar\u00e9u transforma a madrugada em cena. Figuras encapuzadas, tochas acesas, passos coreografados. A encena\u00e7\u00e3o da via sacra resgata os momentos finais da vida de Cristo com forte presen\u00e7a da cultura popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Espet\u00e1culos da Paix\u00e3o de Cristo tamb\u00e9m se espalham por todo o pa\u00eds, misturando teatro, religiosidade e tradi\u00e7\u00e3o oral. A f\u00e9, aqui, encontra express\u00e3o art\u00edstica e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras cren\u00e7as, mesmo esp\u00edrito<\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, pa\u00eds de tantas cren\u00e7as, a Sexta-Feira Santa tamb\u00e9m \u00e9 vivida por outras tradi\u00e7\u00f5es. Para religi\u00f5es de matriz africana como o candombl\u00e9 e a umbanda, esse \u00e9 um tempo de celebrar <strong>Oxal\u00e1<\/strong>, orix\u00e1 que se aproxima da imagem de Jesus: s\u00edmbolo da cria\u00e7\u00e3o, da paz, da espiritualidade elevada.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no espiritismo, a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como sinal de evolu\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito \u2014 um chamado \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o interior. Em comum, est\u00e1 a ideia de passagem, renova\u00e7\u00e3o, sentido profundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um feriado que atravessa a hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora o Brasil seja um Estado laico, a Sexta-Feira Santa \u00e9 feriado nacional desde 1995. A tradi\u00e7\u00e3o, no entanto, vem de muito antes, desde o per\u00edodo colonial. Mais do que um costume religioso, a data \u00e9 parte da identidade cultural brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>E se a proposta da P\u00e1scoa \u00e9 renascimento, talvez a Sexta-Feira Santa seja o lembrete: antes da luz, h\u00e1 sil\u00eancio. Antes da celebra\u00e7\u00e3o, h\u00e1 entrega. E nesse intervalo entre dor e esperan\u00e7a, cada pessoa encontra sua forma de viver esse momento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Marcello Casal Jr Sil\u00eancio, reflex\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o. A &#8220;Sexta-feira Santa&#8220;, celebrada por milh\u00f5es de brasileiros, \u00e9 um dos momentos mais intensos da Semana Santa. A data retoma os \u00faltimos passos de Jesus Cristo at\u00e9 sua morte e carrega uma profunda carga simb\u00f3lica para a f\u00e9 crist\u00e3. 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