TOLERÂNCIA

Eu pretendia escrever sobre tolerância, mas em minha meditação só vinha à mente a palavra amor. Compreendi então que não dá pra especular sobre tolerância sem considerar o amor, aquela é somente uma manifestação  deste. Sem amor não pode haver verdadeira tolerância. Por Jaime Pires*

 

Assim como o amor, a tolerância não pode ser seletiva. Se amo verdadeiramente, amo a tudo e a todos, pois tudo é manifestação da vida!

Krishnamurti dizia que o amor verdadeiro é totalmente includente, e assim, sequer pode ser declarado, pois uma vez declarado deixa de ser amor. Se disser amo-te, estou a excluir os demais e isto não é manifestação genuína de amor. O amor direcionado não passa de apego, possessão ou interesse. A tolerância - este atributo interior - opera nesse mesmo nível (do amor).

Tolerância não se aplica a coisas. Somente podemos exercitá-la com pessoas, idéias e opiniões, portanto, só é experienciada nos relacionamentos. Tolerar é aceitar. Aceitar sobretudo a igualdade e não focar nas diferenças. Se

meditarmos sobre a natureza do ser humano constataremos haver infinitamente mais similaridades que diferenças, não obstante, o ego humano insiste em evidenciar as diferenças, dificultando sobremaneira os  relacionamentos e a fraternidade no mundo.

E o que dizer daqueles comportamentos socialmente reprováveis, devemos ser tolerantes com a corrupção e a violência por exemplo? Penso que não! podemos adotar uma postura de “tolerância zero”. Assim como o amor  zero, não chega a ser ódio, desamor ou indiferença. Da mesma forma, não seremos necessariamente intolerantes. Sem julgamentos, podemos separar o pecado do pecador e dizer “silenciosamente” do fundo do coração: não posso amar o que você está sendo, mas posso perfeitamente ver e amar o que você realmente é.

Há, nesse sentido, uma lei universal que decreta que quem pode o mais pode o menos. Assim, para quem conhecer o amor - e todos podem conhecer - tolerar será deveras fácil! Seja no aspecto político, ideológico, religioso, étnico, social, sexual ou em qualquer outra forma. 

Quando amamos, em verdade, amamos Deus no outro, constatamos que o filho e o Pai são um! Nenhuma pessoa que aparentemente seja ou pense diferente de nós, mesmo um suposto malfeitor, apesar de suas escolhas inconscientes e equivocadas, deixa de ser o que todos somos: Filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança!

Eckhart Tolle diz que nenhum homem pode ser bom tentando ser bom, somente pode ser bom encontrando a bondade em seu interior. Da mesma forma, o amor e a tolerância evoluem na medida em que encontrarmos dentro de nós essa essência: o amor.

Por sua vez, o divino mestre Jesus assim ensinou: “Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós” João 14:23; e ainda: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um”; João 17:22.

Penso que somente a partir dessa percepção espiritual de unicidade com o Criador poderemos realmente praticar a tolerância e o amor verdadeiros. 

Namaste!

 

*Jaime Pires é Bombeiro Militar, pai de dois filhos, estudante da Ciência Cristã e de O Caminho Infinito.

Last modified onTerça, 30 Janeiro 2018 20:45
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